Interrogados, presos negam esquema de desvio na Petrobrás

Ligado ao PT, Duque diz desconhecer cartel e dirigentes de empresas alegam que doações a partidos seguiam a lei

ANDREZA MATAIS, FÁBIO BRANDT E RICARDO BRANDT, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 21h26

Atualizado em 18.11

Pouco mais da metade dos 21 presos da etapa Juízo Final da Operação Lava Jato foi ouvida até a noite dessa segunda-feira, 17, na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba. Chegava a 12 o número de interrogados até esta edição ser concluída, dos quais metade ficou em silêncio e metade respondeu às perguntas dos delegados, ainda que para negar irregularidades ou pagamentos de propina.

Parte dos depoentes negou o esquema sob investigação. Preso na sexta-feira, o ex-diretor Renato Duque não colaborou com os federais e, segundo investigadores, teria dado respostas evasivas. Ligado ao PT, ele ocupou a diretoria de Serviços de 2004 a 2012 e é acusado de ter recebido ao menos R$ 94 milhões de dois executivos que fizeram delação premiada.

Em nota à imprensa, a assessoria de Duque disse que ele negou participação em irregularidades. O ex-diretor alegou “desconhecer a existência de cartel envolvendo fornecedores da Petrobrás” e que licitações sob sua responsabilidade eram pautadas “por critérios técnicos”.

No fim de semana, em depoimentos à PF, Othon Zanoide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho, ambos da Queiroz Galvão, e Carlos Eduardo Strauch Albero e Newton Prado, da Engevix, negaram envolvimento com o esquema sob investigação. Eles disseram que não participavam dos pagamentos para partidos políticos.

Os executivos da Queiroz Galvão alegaram que a empresa fazia doações legais a partidos como PT, PMDB e PP e citou o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Os depoimentos foram anexados no processo pelos advogados de defesa, em pedidos para tentar soltar os clientes.

Termina nesta terça, 18, o prazo dado pela Justiça para a prisão temporária de 16 dos investigados. O período pode ser prorrogado por mais cinco dias. Outros seis presos na operação - executivos da Camargo Corrêa, OAS, Mendes Junior, Engevix e Galvão Engenharia - ficarão presos por tempo indeterminado.

Nessa segunda, o Superior Tribunal de Justiça voltou a negar mais cinco habeas corpus, impetrados pelas defesas do presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, do advogado Alexandre Portela Barbosa, de José Ricardo Nogueira Breghirolli, de Mateus Coutinho de Sá Oliveira e do diretor-presidente da Área Internacional da empresa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros. No domingo, o STJ havia rejeitado dois pedidos.

Nicotina. Quatro presos recorreram a adesivos de nicotina para enfrentar a proibição de fumar na carceragem da superintendência da PF em Curitiba. O presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, é um dos que aderiram à tática. A dependência de um dos presos fez com que o advogado peticionasse para que seu cliente pudesse usar o adesivo. Os presos da Lava Jato têm direito a tomar banho de sol. Mas o cigarro também seria proibido nessa ocasião.

Os executivos de empreiteiras ocupam todo o espaço para presos da superintendência. Segundo investigadores, eles têm aceitado comer a refeição oferecida e, por ora, ninguém pediu para receber comida de fora.

AS RAZÕES DAS PRISÕES_______________________________

Queiroz Galvão - Dois executivos presos

Investigação apreendeu contrato de consultoria entre a empreiteira e a Costa Global, de Paulo Roberto Costa. Costa relatou que tais contratos serviam para “disfarçar” o repasse de propina.

Mendes Júnior - Um executivo preso

Executivo cujo nome foi encontrado em agenda de Costa seria o responsável pelo esquema fraudulento na empreiteira. Ainda foram identificados pagamentos e depósitos em contas de empresas de fachada de Alberto Youssef.

Iesa - Dois executivos presos

Youssef e Costa relataram a participação da empresa no cartel.

Camargo Corrêa - Três executivos presos

Investigação registra transferências bancárias milionárias de empresas ligadas à construtora às contas controladas por Youssef.

Galvão Engenharia - Um executivo preso

Na quebra de sigilo bancário, foram identificados depósitos da empresa na conta da MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. Foi ainda localizado outro contrato com a empresa CSA Project, também usada por Youssef.

OAS - Cinco executivos presos

Empresas do grupo depositaram em contas de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef. Executivo da construtora fez ainda dezenas de visitas a um escritório de lavagem de dinheiro utilizado pelo doleiro.

UTC Engenharia - Quatro executivos presos

Decisão da Justiça Federal faz referência a precatório milionário negociado com o governo do Maranhão em favor da UTC/Constran. Inclui também o registro de “quantidade” de visitas de agentes da UTC a escritório de lavagem de dinheiro de Youssef.

Engevix - Três executivos presos

Segundo a investigação da Polícia Federal, a empreiteira realizou depósitos na conta de empresas de fachada de Alberto Youssef. Mensagens eletrônicas suspeitas com doleiro também fazem parte do processo.

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