Interpol vai investigar coincidências em seqüestros

A Polícia Criminalista Internacional (Interpol) vai centralizar suas investigações nas coincidências existentes entre os seqüestros do publicitário Washington, ocorrido no ano passado, com os do banqueiro Beltran Martinez, do também publicitário Geraldo Alonso Filho, e dos empresários Abílio Diniz e Luiz Salles, na década de 90.Fontes da Interpol brasileira afirmaram que os grupos podem ser os mesmos, ou terem ligações entre si, apesar da diferença de datas dos crimes. Agentes da Interpol do Chile estão no País para começar um trabalho conjunto com os policiais federais brasileiros. Mas um dos fatos que mais estão intrigando a todos é que apenas Maurício Hernández Norambuena, suposto chefe do grupo, deu sua identidade verdadeira.?Sabemos apenas quem é ele. Os demais, ainda estamos levantando quem são?, afirmou a fonte da Interpol brasileira. Mas são as coincidências nos métodos dos seqüestros de Olivetto, Diniz e Alonso Filho que intrigam os investigadores. As principais são a origem dos seqüestradores ? supostamente argentinos e chilenos ?, as instruções sobre o comportamento da vítima e até mesmo a forma como alugaram os imóveis que serviram de cativeiro.?É muita coincidência para ser apenas uma coisa copiada?, avalia o informante da Interpol. As investigações atuais da Interpol serão cruzadas com outros levantamentos feitos no início da década de 90, quando foram descobertos grupos clandestinos de origem sul-americana trabalhando em conjunto com outras organizações da Europa e da própria América Latina.Entre eles figuravam as Forças Populares de Libertação de El Salvador (FLP), o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) do Chile, o Exército Revolucionário do Povo (ERP), da Argentina, além das Brigadas Vermelhas, da Itália, e o grupo terrorista basco ETA, da Espanha.A Polícia Federal deve utilizar o mesmo inquérito, aberto no dia 12 de dezembro, para apurar o uso de coletes da instituição no seqüestro de Olivetto, para tentar chegar a outros integrantes do grupo. Nesta terça-feira, o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, esteve em São Paulo para tomar conhecimento detalhado sobre a prisão dos seqüestradores e determinar a linha de investigação.Até no final da tarde desta terça, a PF não tinha levantado com precisão a rota feita pelos seqüestradores e nem mesmo a data de entrada no País. A única informação concreta apurada até agora é que, pelo menos parte dos acusados, entrou pela fronteira Sul, por países do Mercosul.

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