Interpol pede dados sobre prisão de empresário no México

A Interpol (Polícia Internacional) no Brasil pediu nesta quinta-feira às autoridades do México informações sobre a prisão do empresário brasileiro Honor Rodrigues da Silva, acusado pela Polícia Federal de envolvimento na elaboração doDossiê Cayman, como ficaram conhecidos os papéis forjados que apontavam suposta existência de depósitos bancários secretos em nome do presidente Fernando Henrique Cardoso e de líderestucanos no paraíso fiscal das Ilhas Cayman.O Dossiê Cayman revoltou Fernando Henrique. Em 1998, quando centenas de cópias dos documentos foram distribuídas, ele determinou à PF que apurasse a origem das denúncias.A PF teve ampla autonomia para investigar o caso e constatou a fraude. Uma equipe viajou para Cayman. Nesta quarta-feira, Fernando Henrique afirmou que a "maior injustiça" que sofreu em seus 8 anos de governo foi a divulgação do dossiê.Apontado como um dos mentores da fraude, Silva teve a prisão decretada em 28 de maio pela 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília. A prisão foi solicitada pelos delegados federais Paulo de Tarso Teixeira e Jorge Pontes, que investigaram o caso durante quase 3 anos. A PF concluiu que o empresário, proprietário de um escritório de telemarketing, falsificou documentos, intimidou testemunhas e participou de associação criminosa para lavagem de dinheiro.No início deste ano, autoridades dos Estados Unidos haviam consultado o Brasil sobre se havia interesse em eventual prisão e extradição de Silva por outra acusação. Em outubro, a Interpolnos EUA informou à PF sobre o local onde Silva poderia ser encontrado na Cidade do México, onde estaria residindo há cerca de 1 ano.O brasileiro foi capturado por agentes da políciamexicana. A Interpol em Brasília pediu a extradição para que ele responda a processo criminal que tramita em segredo deJustiça. Estão incluídas nos autos da 12ª Vara cópias dos documentos adulterados que Silva teria vendido por US$ 2 milhões a um grupo político ligado ao ex-presidente Fernando Collor.Os papéis indicam que as contas bancárias teriam sido abertas em nome de uma empresa denominada CH, J & T, com sede no Caribe. A PF concluiu que a CH, J&T pertence ao próprio Honor Rodrigues da Silva. Segundo a Interpol, o empresário járesponde a outras 6 ações judiciais cíveis e fiscais.

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