Internet revira baú da memória política

Sites de vídeos na internet guardam momentos históricos da política brasileira

Guilherme Scarance, de O Estado de S. Paulo,

22 de março de 2008 | 18h58

Um curioso baú digital está ajudando a reverter o ditado de que o brasileiro tem memória curta para política. Após a febre do Orkut e dos blogs, cresce agora o compartilhamento de vídeos na internet, sobretudo no site YouTube. Quase tudo foi incluído lá pelos internautas: gafes, momentos históricos, propaganda partidária e ideologia para todos os gostos. De olho no interesse crescente pela nova mídia, políticos aprendem gradativamente a desvendá-la e marqueteiros buscam a melhor maneira de infiltrar seus patrões na rede. Assista aos vídeos:Via Campesina ataca Aracruz Celulose  Aracruz e sua campanha institucional Stédite critica transposição e apóia d. Luiz Cáppio Ciro Gomes defende obra em audiência com d. Luiz Cesar Maia divulga visita a calçadão de Campo Grande Renan Calheiros renuncia à presidência do Senado Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, chora no Senado Depoimento de Roberto Jefferson à CPI do Mensalão (Áudio): Parte 1 Depoimento de Roberto Jefferson à CPI do Mensalão (Áudio): Parte 2 A bengalada no ex-ministro e deputado José Dirceu José Serra se atrapalha ao dar nota ao governo FHC Em meio à crise aérea, Marta Suplicy recomenda: "Relaxa e goza" Presidente Lula vaiado na abertura do Pan, no Rio Lula pede voto aos orkuteiros na eleição de 2006  Um consulta por palavra-chave mostra a invasão de temas políticos no YouTube. Há 1.600 vídeos disponíveis com referência ao presidente Lula. A vaia na abertura do Pan, no Rio, é um deles. Também pode ser vista uma mensagem de Lula, antes do segundo turno de 2006: "Alô companheiros que navegam no Orkut, muito obrigado pelo apoio." Foi vista 111 mil vezes. O choro da ministra Dilma Rousseff, no último dia 11, já está na rede e foi visto 110 vezes. A lista de vídeos e áudios disponíveis é grande e exige filtragem: mensalão (664 arquivos), diretas-já (105), Tancredo Neves (134), operações da Polícia Federal (115), Paulo Maluf (353) e Movimento dos Sem-Terra, com 2.170 itens. A interatividade é grande: é possível comentar o vídeo, recomendá-lo a amigos, dar nota e verificar o número de acessos. Há muito humor e até algumas agressões "postadas" pelos internautas mais exaltados. Denunciada pelo Ministério Público por participar da destruição de 1 milhão de mudas na Aracruz Celulose, há 2 anos, a líder Luciana Passinato aparece num documentário. "As mulheres da Via Campesina escolheram esse local porque é uma das grandes ameaças do agronegócio", diz ela. Em outro vídeo, a Aracruz se defende e garante ter investido "milhões de dólares" nas comunidades locais e em educação. A polêmica transposição do Rio São Francisco é tema de 167 vídeos. O líder do MST João Pedro Stedile, por exemplo, aparece dando apoio ao bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que fez duas greves de fome contra o projeto. "Essa obra é a que mais vai gastar cimento no mundo nos próximos 3 anos", diz. Já o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) aparece em vídeo gravado em 14 de fevereiro, pela TV Senado, quando bateu boca com d. Luiz e a atriz Letícia Sabatella. Para ele, está em jogo "o abastecimento de 12 milhões de pessoas". Os escândalos não foram esquecidos. Dá para conferir as acusações do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI do Mensalão e o discurso de Renan Calheiros (PMDB-AL), ao entregar o cargo de presidente do Senado, após 150 dias de desgaste. As gafes também estão lá: a "bengalada" no então ministro José Dirceu (PT-SP), enquanto enfrentava processo de cassação; a famosa frase - "relaxa e goza" - da ministra do Turismo, Marta Suplicy; e o governador José Serra (PSDB) se atrapalhando ao dar nota ao governo FHC, no Programa do Jô. Um dos mais atentos à era digital é o prefeito do Rio, Cesar Maia, que já "postou" 260 vídeos. "Trata-se de ampliar e diversificar os instrumentos de comunicação e interatividade", explicou ele ao Estado, por e-mail. Os marqueteiros também estão atentos. "É uma convergência total e absoluta, o exercício da democracia plena", ressaltou Dante Matiussi, que teve sua TV Mercadante barrada pela Justiça Eleitoral na última eleição. Agora espera regras mais claras.

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