Internautas são contra proposta de anistia a Dirceu

O ex-ministro José Dirceu não merece ser anistiado e ter seus direitos políticos retomados. Essa é a opinião de 1.928 internautas que votaram na enquete do Portal do Estadão. O número equivale a 86,54% de um total de 2.228 votantes. Apenas 300 (13,46%) foram favoráveis à tentativa de "perdão" do petista. A enquete ficou no ar desde a última segunda-feira, 5. Cassado em 1º de dezembro de 2005, sob suspeita de envolvimento no esquema do mensalão, José Dirceu perdeu os direitos políticos e ficou inelegível até 2015. O ex-ministro nega a acusação e diz que as investigações não levantaram provas documentais contra ele. O deputado cassado tem planos de voltar à cena política e vem articulando sua anistia ainda este ano. Dirceu depende de um projeto de lei que precisa ser apresentado na Câmara. A proposta pode ser de um deputado apenas ou da sociedade - como planeja o ex-ministro. Caso a iniciativa seja da sociedade, Dirceu precisa de nada menos que 1,5 milhão de assinaturas, o que, segundo ele, lhe daria respaldo popular para voltar. De todo o jeito, o projeto de anistia precisa entrar na pauta e ser votado. Com a vitória do petista Arlindo Chinaglia na presidência da Câmara, poderá ser mais fácil para o deputado cassado conseguir o ´perdão´ e retomar seus direitos políticos. Na noite da última quinta-feira, a Juventude do PT lançou informalmente a campanha de anistia para Dirceu. "Eu acho que Dirceu e Tarso deveriam parar de falar porque isso ajudaria mais o PT", concluiu Valdemir Garreta, integrante da Executiva Nacional petista. Ao som da Internacional, antigo hino comunista, ele ganhou dos jovens um quadro com uma foto sua na época em que era líder estudantil. Sob a foto em preto e branco, os dizeres ?anistia já?. Nesta sexta-feira, ele participa de jantar em Salvador para comemoração os 27 anos do PT, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No dia seguinte, o Diretório Nacional irá se reunir para aprovar um documento que pretende atacar a política econômica do governo Lula e será uma ofensiva contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Histórico O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi homem forte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 1º de janeiro de 2003 a 16 de junho de 2005, quando pediu demissão do cargo e voltou à Câmara como deputado eleito por São Paulo. A demissão de Dirceu aconteceu porque seu nome estava envolvido no escândalo do mensalão - quantia paga a deputados para votarem a favor de projetos do governo - denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB). Aliado do governo, Jefferson decidiu "abrir a boca" depois que apareceu envolvido em denúncias de corrupção nos Correios e em outras estatais. Dirceu não ficou muito tempo na Câmara. Seis meses depois, teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar e tornou-se inelegível até 2015. O caso do ex-ministro também foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF) com a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Além de Dirceu, considerado um dos líderes do que Antonio Fernando classificou de "organização criminosa", outros quarenta supostos participantes do esquema do mensalão também foram denunciados. Colaborou Vera Rosa

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