André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Interlocutores de Dilma já falam em enfrentar impeachment

A ameaça constante de Eduardo Cunha de utilizar afastamento da presidente como forma de chantagem para não ser cassado incomoda o governo; não há unanimidade, no entanto, de que votar logo o impeachment ou não seja o melhor caminho

Tânia MOnteiro e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 15h49

BRASÍLIA - Interlocutores próximos da presidente Dilma Rousseff já começam a avaliar que, neste momento, seria melhor enfrentar, de uma vez, o processo de impeachment. Na opinião deles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai continuar usando esta arma como forma de chantagem. Esta ameaça constante está incomodando muito o governo. Não há unanimidade, no entanto, de que votar logo o afastamento ou não da presidente seja o melhor caminho. Todos concordam, porém, que é preciso afastar este fantasma da crise política, deixando o governo se concentrar nos problemas econômicos.

Nessa segunda-feira, 30, Cunha avisou que, caso os três petistas que integram o Conselho de Ética votassem a favor da abertura do processo de cassação dele, haveria retaliação, dando seguimento ao impeachment. Os deputados estão evitando anunciar o que farão na sessão do colegiado desta terça. O Planalto, embora negue, operou para evitar que os petistas desagradassem Cunha. Ainda ontem, o presidente do PT, Rui Falcão, esteve no Palácio do Planalto e este foi um dos temas da conversa. O dirigente petista iria conversar ainda com as lideranças do partido.

Outra preocupação é com o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que tem se queixado de abandono por parte do governo e do PT. O temor é que ele decida fazer um acordo de delação premiada e possa prejudicar a presidente Dilma, principalmente por conta das discussões em torno da compra da refinaria de Pasadena.

Mesmo tendo desembarcado em Brasília por volta das 6h30 da manhã de hoje, depois de ter participado da reunião do Clima em Paris, Dilma já mergulhou em diversos problemas. Cedo, quis saber do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, as providências que estão sendo tomadas para tentar conter a epidemia de bebês com microcefalia, causada pelo zika vírus. Ela também pediu providências para atendimento às famílias que perderam casas e parentes no rompimento da barragem em Mariana.

Ainda no final da manhã, Dilma assumiu a coordenação política do governo e comandou pessoalmente uma reunião com os líderes dos partidos da base na Câmara e no Senado para fazer um apelo pela aprovação do projeto que altera a meta fiscal de 2015. Sem essa mudança, Dilma poderá ser enquadrada no crime de responsabilidade fiscal, que também pode alimentar a polêmica do impeachment. O vice-presidente Michel Temer e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, participaram da reunião. Jaques Wagner acompanhou apenas parte da conversa.

A presidente Dilma não tem agenda oficial esta tarde. Toda a atenção do governo está voltada para o acompanhamento das diferentes sessões do Congresso, seja do conselho de ética da Câmara, seja da sessão do Congresso que vai votar a meta fiscal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.