Governo do Estado de São Paulo
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Interferir na PF é crime, afirma Doria

Governadores criticam a escolha de delegado ligado à família de Bolsonaro para comandar a Polícia Federal; Mauro Mendes defende direito de defesa do presidente

Bruno Ribeiro, João Ker e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 13h09
Atualizado 27 de abril de 2020 | 17h05

Sem citar nomes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou nesta segunda, 27, a escolha do delegado Alexandre Ramagem, que é próximo da família do presidente Jair Bolsonaro, para assumir o comando da Polícia Federal. Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes também mandou recado para Bolsonaro: "Nenhum chefe do Executivo tem direito de interferir em áreas técnicas”.

Antes de começar entrevista sobre medidas de combate à covid-19 em São Paulo, Doria disse que "a PF deve ser respeitada e a PF é nacional. A PF não é pessoal e nem familiar. Solidariedade aos integrantes da PF que ganharam respeitabilidade na Lava Jato com a cooperação do ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro."

"O Brasil rejeitou a república dos companheiros e rejeita a dos amigos. Não podemos ser condescendentes. O presidente deve interagir com o povo e não com o chefe da PF. Interferir é crime", afirmou ainda o governador paulista.

Para Mendes, porém, a crise política não pode ser potencializada sem que Bolsonaro tenha o direito de se defender de acusações.  "Nenhum chefe de Executivo, seja ele presidente, governador ou prefeito, tem direito de interferir em determinadas áreas que são técnicas. Mas nós temos de dar ao presidente o direito de defesa e, acima de tudo, de exercer o contraditório. Potencializar essa crise, quem assim o fizer, estará jogando não contra o presidente, mas, sim, estará jogando muito e muito contra o Brasil", afirmou Mauro Mendes ao Estado/Broadcast

"O presidente Bolsonaro tem neste momento um conjunto de atores do cenário amplamente desfavoráveis a ele. Qualquer equívoco vai ser utilizado contra e ele precisa ter serenidade para fazer o enfrentamento e o debate, sem criar novas crises", afirmou o governador mato-grossense.

A saída de Moro ocorreu após Bolsonaro exonerar Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal para nomear Ramagem. O delegado da PF entrou para o rol auxiliares de confiança do Planalto com o apoio do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). A nomeação de Ramagem para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em julho do ano passado, é atribuída ao filho do presidente.

A aproximação entre Carlos e Ramagem, delegado da PF desde 2005, ocorreu durante a campanha eleitoral, em 2018. Na época, o policial assumiu a coordenação da segurança de Bolsonaro após a facada sofrida pelo candidato em Juiz de Fora (MG). Como chefe da Abin, Ramagem passou a frequentar o gabinete presidencial.

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