Interditados 3 tanques da distribuidora Bremen em Paulínia

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) interditou três tanques de combustíveis da distribuidora Bremen, operada pela Mecoil, em Paulínia, por conterem marcador, substância química usada para identificar gasolina destinada à exportação ou adulterada por solventes. Foi a segunda interdição feita na empresa em pouco mais de dois meses. No começo de julho, a ANP identificou 36,4 mil litros de gasolina com marcador na Bremen, que então funcionava irregularmente. A gasolina para exportação tem isenção de algumas taxas, por isso não pode ser comercializada no mercado interno, assim como também é proibida a venda de gasolina com solvente. A ANP não informou a quantidade de combustível interditada, mas divulgou que foi aberto um inquérito administrativo para averiguar a procedência do material. A análise do marcador foi feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A operação da ANP não foi comunicada à delegacia de polícia de Paulínia, que investiga o desaparecimento de 7 milhões de combustíveis adquiridos da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, para serem exportados à Bolívia, mas que não saíram do Brasil. O delegado responsável pelo caso, Tadeu Brito de Almeida, disse que precisa de informações sobre a interdição "o mais rapidamente possível" porque o material pode ser parte da gasolina desaparecida, "justamente aquela que a polícia procura". Ele afirmou ter provas de que a gasolina comprada de Manguinhos para exportação foi vendida por distribuidoras de Paulínia. Por enquanto, apenas a Distribuidora Alamo confirmou participação no esquema, conforme Almeida. Segundo ele, um diretor confessou que a empresa vendeu na região de Paulínia, para postos de combustíveis ou pequenas distribuidora, perto de seis milhões de litros da gasolina comprada para ser exportada para a Bolívia. Cinco pessoas já foram indiciadas no inquérito, mas Almeida preferiu não revelar os nomes até que as investigações estejam concluídas. Outras ainda continuam sendo investigadas. Não há previsão de quando o inquérito será concluído. Em blitze feitas no começo de julho, foram descobertas em três distribuidoras de Paulínia 3,2 milhões de litros de gasolina com marcador, que podem ser parte da adquirida em Manguinhos em maio. A Refinaria apresentou documentos que confirmam os depósitos feitos pela exportadora Thork em favor de Manguinhos, referentes ao valor pago pelos sete milhões de litros. A Thork negou os depósitos e afirmou que teve seu nome usado por terceiros. Segundo Almeida, as distribuidoras Exxel e Transo confirmaram ter estocado parte do material, mas garantiram que o devolveram à Thork. A empresa novamente negou. Em seu favor, a Thork argumentou que o esquema foi denunciado por ela própria, o que não a exclui das investigações. De acordo com Almeida, todos continuam suspeitos. Ele não descartou a possibilidade de envolvimento de funcionários da refinaria no esquema e disse que está investigando ainda a participação de uma transportadora de Mato Grosso, mas não revelou o nome. Foi a primeira operação de exportação de combustível por meio de empresas privadas. Até então, apenas a Petrobrás havia exportado combustível brasileiro, lembrou o delegado. Também está sendo investigada a importadora Cambra SRL, da Bolívia, para qual seria exportada a gasolina de Manguinhos. "Vamos descobrir se essa empresa existe ou foi criada apenas para viabilizar a operação", comentou Almeida. Ele informou que ainda não foi feito nenhum pedido de prisão temporária contra os indiciados, acusados de formação de quadrilha, sonegação fiscal e descaminho.

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