DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Inteligência foi 'derretida' por Dilma, afirma general Heleno

General assume cargo de ministro-chefe do Gabinete Institucional (GSI) criticando a presidente cassada Dilma Rousseff

Vera Rosa e Julia Lidner, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2019 | 10h40

BRASÍLIA - Ao assumir nesta quarta-feira, 2, o cargo de ministro-chefe do Gabinete Institucional (GSI), o general Augusto Heleno disse que a ex-presidente Dilma Rousseff, cassada após um processo de impeachment, em 2016, destruiu o sistema de inteligência no País. O novo titular do GSI afirmou, ainda, que o governo do presidente Jair Bolsonaro, que acompanha a cerimônia,terá um "trabalho penoso" pela frente.

"Esse sistema foi recuperado pelo general Etchegoyen e foi derretido pela senhora Rousseff, que não acreditava em inteligência", declarou Heleno, na solenidade de transmissão de cargo, ao elogiar o general Sérgio Etchegoyen, responsável pelo GSI no governo de Michel Temer.

No Salão Nobre do Palácio do Planalto, houve burburinho na plateia. Muitos riram. Em seu rápido discurso, Heleno também disse estar integrado a uma "equipe excepcional" e unida. "Temos um trabalho que será penoso, mas que, tenho certeza, nos conduzirá a novo destino", comentou o novo ministro do GSI.

O agora ex-ministro general Etchegoyen destacou o trabalho feito durante o governo Temer. "Se o título do governo que se encerrou poderia ser crise, seu lema foi coragem", disse Etchegoyen. Segundo ele, a maior manifestação do governo Temer foi rejeitar a trilha percorrida tantas vezes do populismo irresponsável.

Etchegoyen também destacou que o presidente Jair Bolsonaro foi eleito por uma população que acredita em valores diferentes do que se apregoava e elogiou a escolha do general Heleno para o cargo.

Transmissão de cargo

Além da transmissão de Heleno, Bolsonaro acompanha a troca de cargo dos novos ministros que trabalharão no próprio Planalto: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Gustavo Bebianno (secretário-geral da Presidência) e o general Carlos Alberto (Secretaria de Governo).

Ao tomar posse, o novo ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, defendeu transparência e publicidade no governo do presidente Jair Bolsonaro e prometeu que a pasta terá diálogo com todos os setores da sociedade sem restrições.

"Todos os assuntos poderão ser tratados com a Secretaria de Governo, sempre dentro dos princípios da administração pública de honestidade, de lealdade de transparência de publicidade, a fim de que se transmita à nossa população, traumatizada por escândalos ao longo de muitos anos, uma sensação de honestidade de governo, de transparência, de confiabilidade, de credibilidade em todos os programas", declarou o general.

Conforme Santos Cruz, todos os segmentos, "independente de qualquer consideração que imponha o mínimo de restrição a qualquer grupo", serão atendidos pela pasta. Ele citou prefeitos, governadores e movimentos sociais e declarou que o ministério estará de "portas abertas". Ele destacou também que a Secretaria de Governo vai continuar sendo o ponto de entrada com a Presidência.

Antes do discurso de Santos Cruz, o ex-ministro da pasta Carlos Marun repetiu que o governo do ex-presidente Michel Temer enfrentou "conspirações", mas entregou um país melhor do que recebeu. Ele ainda declarou ter confiança que o Brasil será "ainda maior" após o governo de Jair Bolsonaro.

Combate à pobreza

O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, declarou  que o otimismo em relação à política econômica do presidente Jair Bolsonaro vai acabar com a pobreza do País. Durante cerimônia e transmissão de cargo de ministros no Palácio do Planalto, Bebianno exaltou a equipe comandada pelo novo ministro da Economia, Paulo Guedes.

"Destaco o otimismo que inspira a nova política econômica que ora se descortina a favor do povo brasileiro por intermédio do qual será colocado um ponto final no desnecessário e injustificável estado de pobreza e atraso da nossa nação", disse Bebianno.

Ao falar do processo que levou à eleição de Bolsonaro, o novo ministro citou que foram dois anos de "trabalho, risco assumido, sacrifício, de suor, lágrimas e literalmente sangue". Ao iniciar seu discurso, Bebianno prestou continência a Bolsonaro. Ele prometeu apoiar diretamente o presidente e cumprir ordens.

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