Integrantes do PT paulista serão ouvidos pela PF

A Polícia Federal começa a ouvir nesta terça-feira, em São Paulo, o depoimento de três integrantes do diretório do PT paulista no inquérito que apura a venda de dossiê contra políticos tucanos. Serão ouvidos o ex-coordenador financeiro da campanha de Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo Giácomo Bacarin; o presidente do PT em São Paulo, Paulo Frateschi; e o tesoureiro do partido no Estado, Antônio dos Santos. O delegado responsável pelas investigações, Diógenes Curado Filho, vai ouvir também dois funcionários da Transbank, empresa de transporte de valores cujo carimbo consta nas notas de reais apreendidas com Gedimar Passos e Valdebran Padilha, no Hotel Íbis, em São Paulo. A PF apreendeu R$ 1,75 milhão que seria usado na compra do dossiê. O delegado Diógenes Curado deve apresentar o relatório com a conclusão das investigações até o dia 23, quando termina o prazo dado pela Justiça Federal para a prorrogação das investigações. Entenda o caso dossiê Em 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu em Cuiabá um dos donos da Planam, Luiz Antonio Vedoin, e seu tio Paulo Roberto Trevisan, que estavam negociando a venda de informações contra os candidatos tucanos José Serra (ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (à Presidência da República). Depois da prisão de Vedoin e Trevisan, a PF de Mato Grosso avisou a de São Paulo, que horas depois prendeu na capital outros dois integrantes do esquema, os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Eles estavam com parte dos R$ 1,75 milhão que seriam usados na compra do material pelo PT. Gedimar disse à Polícia que o mandante da operação era Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência. Mas, relatório parcial da PF aponta Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, como mentor da ´negociação´. Durante as investigações, outras figuras próximas ao presidente aparecem no caso: Ricardo Berzoini, ex-coordenador de campanha de Lula e ex-presidente nacional do PT; Hamilton Lacerda, ex-assessor de Aloizio Mercadante; Expedito Veloso, do Banco do Brasil; Oswaldo Bargas, ex-Ministério do Trabalho. O chamado dossiê Vedoin continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões. Origem do dinheiro No final de outubro, a agência de câmbio Vicatur, de Foz do Iguaçu, na Baixada Fluminense, montou um "laranjal" com pessoas de famílias humildes que emprestavam seus CPFs para operações ilegais. Algumas tiveram seus nomes incluídos sem sequer saberem. Os donos da empresa, Fernando Ribas e Sirlei Chaves, foram indiciados por fraude cambial e uso de documento falso. Em relação à Vicatur, a PF desconfia que possa haver duas famílias envolvidas como laranjas no esquema. Uma delas, já mapeadas, comprou o equivalente a US$ 280 mil na Vicatur. O montante adquirido pela outra família ainda está sendo levantado, mas pode ter sido superior a US$ 100 mil. A PF não sabe ainda para onde foi a parte que excedeu os US$ 248,8 mil que seriam usados para pagar o dossiê.

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