Integrantes do MST torturam e ameaçam família no PR

A disputa por uma área de 86 alqueires que pertencia ao extinto Banestado, no município de Paula Freitas, próximo a União da Vitória, no Sul do Paraná, e ocupada pela família do agricultor José Luiz Estácio, provocou um conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e oito pessoas, seis delas da mesma família e dois funcionários, durante o final de semana. A fazenda tem uma área total de 400 alqueires e está ocupada há um ano pelo movimento rural. Segundo a Polícia Civil, o grupo entrou na casa e agrediu as pessoas que estavam dentro, incluindo requintes de tortura como queimaduras com ponta de faca e corte de cabelos.Horas depois a mulher e duas filhas foram liberadas e entraram em contato com João Valter, irmão de José Luiz que denunciou o caso à polícia. Quando a PM chegou, encontraram o filho de 11 anos e dois empregados amarrados com fios de nylon e cobre. Os policiais forjaram uma voz de prisão contra os funcionários e os libertaram.Em entrevista à rádio CBN, a delegada Maria de Fátima Bittencourt disse que os policiais encontraram armas. "Imediatamente foi instaurado um inquérito policial, as pessoas machucadas foram todas submetidas a exames corporais, representaram criminalmente e agora o mais rápido possível queremos ver se nós adiantamos as investigações para chegar a termos, se for necessário um pedido de prisão dos autores", disse.Fátima disse que o conflito é antigo e merece um acompanhamento maior."Há algum tempo os membros do MST entraram nessas terras e estamos controlando algum tempo essa situação. Havia boletins de ocorrência dos dois lados. O pessoal dos sem-terra, não tem como a gente ter acesso e não podem ser identificados, lamentavelmente ocorreu esse fato".Na opinião de um dos coordenadores do movimento, José Damasceno, o que aconteceu pode ter sido uma reação à antigas provocações. E que o agricultor já havia agredido anteriormente pessoas ligadas ao MST. "Não concordamos com isso, mas também tem que ponderar as coisas, porque na verdade ele acabou agredindo uma pessoa do acampamento e ninguém controlou a reação. No fundo é isso,houve uma contra-reação de uma agressão. Nós condenamos esse tipo de prática, não é a prática do MST, porém tem uma detalhe, teve uma família lá que acabou se revoltando", disse.A propriedade foi destruída logo em seguida, por meio de um incêndio no barracão e na casa. Para apurar o caso, o MST destacou um advogado e uma liderança do movimento para as investigações.

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