Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Integrantes do MST invadem saguão do Ministério da Fazenda

De acordo com assessores, Guido Mantega evitará comparecer ao prédio nesta terça-feira

Adriana Fernandes e Vannildo Mendes, Agência Estado

11 de agosto de 2009 | 10h40

Manifestantes do MST invadiram o saguão principal do Ministério da Fazenda nesta terça-feira, 11. Eles querem ser recebidos pelo ministro Guido Mantega e a criação de uma comissão formada pelos ministros Mantega e Guilherme Cassel (Reforma Agrária) além de um representante da Casa Civil e dos sem terra. Na pauta de reivindicações, o assentamento imediato de 90 mil acampados, o descontigenciamento do orçamento para a reforma agrária e um plano de aplicação desse dinheiro até o final do ano. O ministro da Fazenda evitará comparecer nesta terça-feira ao prédio do ministério, informaram há pouco assessores do ministério.

 

O coordenador nacional do MST, Vanderlei Martini, disse que o movimento escolheu invadir o Ministério da Fazenda porque o ministro Mantega "infelizmente defende uma política econômica que privilegia o agronegócio em detrimento dos trabalhadores rurais". Os elevadores do prédio da Fazenda foram desligados, e o acesso pelas escadas foi bloqueado pelos seguranças. Os manifestantes estão ocupando o saguão principal do prédio, o pátio externo e a rua de acesso ao ministério. Eles exibem uma grande faixa pedindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não faça cortes no orçamento destinado à reforma agrária.

 

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Ninguém que estava no prédio a partir do momento da ocupação, às 9h30, poderá sair. E ninguém que esteja do lado de fora terá autorização para entrar. O serviço de segurança do ministério diz que teme que a invasão se amplie e haja quebra-quebra como já ocorreu em outras ocasiões, quando militantes de outro movimento de agricultores sem terra conseguiram invadir gabinetes do ministério. Neste momento, segundo organizadores do MST, há um total de 3 mil militantes no prédio e arredores. São procedentes de 24 Estados que estão em Brasília para participar do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, iniciado nesta segunda-feira, que vai até o dia 21, no Ginásio Nilson Nelson.

 

O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Valmir Lemos, chegou há pouco ao Ministério da Fazenda para se reunir com o pessoal de segurança e avaliar a necessidade de reforços. A área externa e o saguão do prédio foram ocupados por manifestantes do MST, no início da manhã. Segundo o coronel da Polícia Militar, Jorge Damaceno, que comanda a operação de segurança no Ministério, um sargento sofreu ferimentos leves, no momento que os manifestantes invadiram a portaria do prédio. Por ser um prédio federal, a PM vai pedir à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar responsabilidades pela lesão.

 

Além de reivindicar a realização da reforma agrária e assentamento imediato das 90 mil famílias acampadas na beira de estradas há mais de quatro anos, os manifestantes criticam a política de apoio do governo ao empresariado do agronegócio. Vanderlei Martini, disse que o setor do agronegócio "tem tido todas as regalias do governo, mas não gera emprego, não distribui renda e paga menos tributos" do que os demais setores produtivos rurais.

 

Segundo Martini, o setor do agronegócio "mama nas tetas do governo" e, enquanto isso, "o governo dormiu na reforma agrária, que está emperrada." Um documento distribuído pelo MST afirma que o empresariado rural, por ter grandes fazendas, prefere usar máquinas agrícolas a contratar mão-de-obra, e a maior parte de sua produção é destinada à exportação, afirma o texto do MST. Esse tipo de produção, de acordo com o movimento, "está tomando conta da agricultura em todo o País, estimulado pelos bancos e pelo governo e com uma forte representação Congresso por meio da chamada bancada ruralista." O documento diz ainda que o setor ruralista "tem muitos vínculos com o Poder Judiciário em todo o País e em Brasília."

 

Na área do Ministério da Fazenda estão estacionados três ônibus da Polícia Militar e um veículo do Corpo de Bombeiros. Foram chamados também agentes da Polícia Federal, que já chegaram. Os manifestantes fazem barulho, com batucada e apitos, e gritam palavras de ordem como "ou faz a reforma agrária ou paramos o Brasil" e "o povo está na rua, a luta continua".

 

Cerca de três mil manifestantes que vieram de 24 estados ocupam o pátio e o saguão principal de entrada do Ministério. Para Martini, o governo Lula foi uma "decepção" para a reforma agrária. E como o segundo mandato do presidente está acabando, o movimento não quer ele que termine sem fazer a reforma agrária no País.

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