Integrantes da CPI dos Sanguessugas acusam Biscaia de fazer "operação abafa"

O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), transformou-se nesta terça-feira em alvo de parlamentares de oposição, que o acusam de patrocinar uma "operação abafa" para evitar a convocação dos envolvidos no escândalo do dossiê contra candidatos tucanos. Os oposicionistas consideraram "estranho" o comportamento de Biscaia, que terminou rapidamente a reunião da CPI pela manhã evitando, dessa forma, a votação dos requerimentos de convocação.O clima de confronto entre os integrantes da CPI ficou patente depois que o petista também se negou a fazer uma reunião extraordinária à tarde, pedida por Fernando Gabeira (PV-RJ), para votar os cerca de 200 requerimentos. Parlamentares acabaram batendo boca e trocando acusações."Não há da minha parte nenhum tipo de conduta que mostre que não quero as investigações. Sou imune à pressão. Mas a CPI não pode se transformar em um palco de disputa político eleitoral", argumentou Biscaia. Ele defendeu ainda que os requerimentos sejam votados apenas depois do segundo turno das eleições, no dia 29 de outubro. "O resultado das eleições presidenciais vai interferir na segunda fase da CPI, que vai centrar suas investigações na relação da máfia das ambulâncias com o Executivo", disse o petista. Para a oposição, "faltou boa vontade" a Biscaia para que houvesse quorum na sessão administrativa da CPI dos Sanguessugas desta manhã. "Ele (Biscaia) deve estar sendo pressionado. Não está enfrentando as questões abertamente", afirmou o sub-relator Fernando Gabeira. "Acho que o Biscaia está sofrendo algum tipo de pressão. Espero que amanhã ele retome a sua biografia", disse o sub-relator Carlos Sampaio (PSDB-SP). "Existe uma pressão grande para não ter reunião da CPI antes do segundo turno", observou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). "O Biscaia jogou a favor do governo para não haver sessão da CPI", opinou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) era a única governista no plenário da CPI. Foi somente ela que saiu em defesa de Biscaia. "Temos de trabalhar em vez de ficar fazendo factóides", disse a comunista. Sem citar nomes, a deputada também afirmou que a CPI tem apenas partes do dossiê contra os tucanos. "O juiz autorizou que viesse para a CPI todo o material. Mas o que veio para cá foi escolhido", observou Vanessa. Foram os deputados Fernando Gabeira e Carlos Sampaio que trouxeram o dossiê para a CPI. "É uma maldade dela", afirmou Gabeira. "É destempero e despreparo da deputada", completou Sampaio. A crise na CPI dos Sanguessugas começou segunda-feira pela manhã. Sem quorum para fazer as votações - era necessária a presença de 19 parlamentares, mas apenas 16 estavam no plenário da comissão -, Biscaia anunciou uma nova sessão para a semana que vem. Gabeira e Carlos Sampaio começaram, no entanto, a recolher assinaturas para que a reunião fosse segunda à tarde. Os dois garantem que Biscaia concordou com a reunião extraordinária. Biscaia assegura o contrário. "Não é verdade que eles tenham me convencido a fazer a reunião hoje. Eles só quiseram fazer uma encenação pública em frente às câmeras. Querem acabar com o clima de cordialidade da CPI", disse Biscaia.

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