Integralidade para novo servidor seria retrocesso, diz Brant

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, deputado Roberto Brant (PFL-MG), disse hoje, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que se os líderes do governo quiserem estender a aposentadoria integral para os novos servidores, será um retrocesso. "Isso significa que a reforma morreu", disse Brant, que defende a aposentadoria integral condicionada ao tempo de contribuição e idade mínima, apenas como regra de transição para o novo sistema de previdência. Ele lembrou que não é só o efeito fiscal que se busca com a reforma da Previdência. "O que se busca, também é uniformizar as regras do setor privado com o setor público, como é em toda a parte do mundo. Com a adoção dessas propostas nós vamos mais uma vez manter totalmente apartados a maioria dos brasileiros de um lado e uma minoria de outro. É um retrocesso grave e eu acho que o governo tem de refletir um pouco mais antes de aceitar essa solução, que parece tão fácil e tão boa para os líderes do governo, mas significa recuar para antes da reforma do governo Fernando Henrique?.Abrandamento da reformaPara Brant, a flexibilização do governo em negociar vai permitir maior pressão para novas mudanças. "A verdade é que as lideranças governamentais no Congresso estão apoiando as reformas sem maiores convicções. Então, toda vez que se acena com a possibilidade de reduzir a reforma a quase nada, é claro que eles aderem à proposta", disse. Roberto Brant admite que está sendo mais radical nesse caso do que o seu partido, o PFL. "O PFL tem se colocado na posição de quem deseja o abrandamento da reforma, ao contrário do que sempre pregou no governo Fernando Henrique. Eu acho que não, que nós devemos radicalizar a reforma porque isso não é uma questão de governo; é uma questão de Estado. O Brasil necessita dramaticamente de reequilibrar as contas públicas e não fará isso sem uma profunda reforma da Previdência", disse.A título de exemplo, Brant disse que o Brasil, hoje, gasta mais com previdência, em proporção ao PIB, do que a Suécia, o Canadá, a Austrália, a Coréia do Sul e os Estados Unidos. "Um terço de todos os impostos arrecadados no Brasil se destina exclusivamente a pagar aposentadorias e pensões. Esta é a causa principal da agonia do Estado brasileiro, do seu quase colapso. O Estado brasileiro hoje é incapaz de qualquer ação, de qualquer política pública, porque está sob pressão fiscal incontornável", disse. Para Brant, uma reforma da previdência nos moldes como está sendo sugerida não muda as condições financeiras do estado brasileiro. Segundo ele todos os agentes econômicos internacionais sabem que, se persistir o atual desequilíbrio previdenciário, o Brasil é insolvente a longo prazo. "Eu acho que o governo vive um momento de grande perplexidade. Ele avançou muito na sua proposta, não encontrou muita convicção na sua base de apoio parlamentar e agora está admitindo recuar. Eu acho que recuo, sim, mas não tanto."

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