Instituto Internacional de Segurança da Imprensa anuncia escritório em SP

Entidade pretende assistir jornalistas de toda a América Latina para diminuir riscos da atividade

Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 19h07

Dedicado a uma questão crucial do jornalismo de nossos dias - a segurança dos repórteres na sua busca de notícias -, o Instituto Internacional de Segurança da Imprensa (Insi) anunciou nesta sexta-feira, 19, em Londres, a criação de um escritório em São Paulo, para assistir jornalistas de toda a América Latina.

 

Criado em 2003, o Insi (na sigla em inglês, International News Safety Institute) acumulou nesses oito anos uma grande experiência nessa tarefa: já preparou quase mil pessoas, em 16 países. Chega ao Brasil tendo como parceira a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Abraji - cujo vice-presidente, Marcelo Moreira, será seu primeiro presidente regional. "A partir da experiência do Insi poderemos desenvolver mais de perto as práticas que podem diminuir o risco dos jornalistas na região", diz Moreira.

 

Ele chega com uma boa carga de trabalho. Só o Brasil, que vive uma democracia relativamente mais sólida e livre que a maioria dos vizinhos, morreram cinco jornalistas no último ano. No México, a imprensa somou mais de 30 mortes em quatro anos e o clima de ameaças é permanente no Equador, na Venezuela, na Bolívia.

 

Uma das tarefas básicas do instituto é levantar fundos para organizar treinamento básico - e gratuito - de jornalistas escalados para missões em áreas de guerra. Outra é manter viva e alerta uma rede de informações entre empresas, famílias e profissionais em situações de sequestro. Uma terceira é fazer valer, em focos de violência, a resolução 1.738 da ONU, que estabelece garantias para civis em áreas conflagradas.

 

O cenário em que se move o instituto é preocupante: cerca de 1.200 jornalistas morreram, nos últimos dez anos, no trabalho de buscar e divulgar informação em todo o planeta - o que dá uma vítima a cada 72 horas. O que surpreende, no entanto, é que não se trata apenas de violências no Iraque, no Afeganistão, na Somália ou onde mais houver guerras. Em sua maioria, as vítimas da guerra da informação eram repórteres investigando casos "simples" de crime e corrupção, em periferias de pequenas ou grandes cidades, por todo o mundo.

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