Instituto FHC debate a nova ordem mundial

A necessidade de reconstruir a ordem mundial e assegurar um multilateralismo nas discussões internacionais foram os principais temas do debate promovido neste sábado durante a inauguração do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), em São Paulo. Em um painel conduzido pelo secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Rubens Ricupero, os Estados Unidos e a guerra no Iraque foram citados como grandes responsáveis pela ruptura de um esforço global em direção a uma ordem mundial de paz."É imprescindível começarmos este debate pela questão do Iraque, pois a solução desse conflito vai determinar a capacidade de se criar uma ordem mundial satisfatória", disse ele. "Construir uma globalização interdependente e solidária tem de ser o objetivo central de uma nova ordem cosmopolita."O ex-primeiro-ministro francês Lionel Jospin acrescentou que a condução de uma "guerra preventiva" é inaceitável, seja ela comandada pelos Estados Unidos ou por qualquer outra nação. "Nenhum país deve se propor a solucionar problemas que dizem respeito a todo o mundo com base em suas próprias normas e regras", afirmou.A visão apresentada por Ricupero e Jospin foi compartilhada por outros participantes do encontro, como o ex-primeiro ministro português Antônio Guttéres, e o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer. Guttéres destacou a importância de se criar entidades empenhadas em debater esses problemas. Lafer disse que, durante o século 20, existiam sinais de que o mundo caminhava em direção a um multilateralismo nas relações internacionais. "Mas isso não se confirmou neste início do século 21", disse.Ao comentar as discussões, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso destacou a importância de uma união de forças para convencer os Estados Unidos a reverem sua política de relacionamento internacional. "Não podemos pensar em reconstrução da ordem mundial sem que os Estados Unidos se disponham a algum tipo de diálogo."

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