Instituto do Câncer prevê queda no consumo de cigarros

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) contesta as informações publicadas no Atlas Mundial do Tabaco, lançado nesta semana em Genebra. Segundo o Atlas, as projeções das indústrias do setor de tabaco são de que o consumo de cigarro, no Brasil, cresceria 40,2% até 2008, em relação a 1998. Para o Inca, porém, os dados não refletem a realidade brasileira e o consumo, que já está em queda, poderá sofrer uma redução ainda maior nos próximos anos. Para Tânia Cavalcante, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca, por causa das campanhas de controle do cigarro, o consumo caiu 9% no Rio de Janeiro, entre 1989 e 2001. "Além disso, o Inca está realizando uma pesquisa para identificar qual é a queda no consumo em todo o País", afirma Tânia. A diretora do Projeto Iniciativa por um Mundo Sem Tabaco, da Organização Mundial da Saúde (OMS), Vera Luiza da Costa e Silva, se apressou para afirmar que, apesar do relatório ter sido publicado pela OMS, os dados apresentados no Atlas não são projeções da entidade, mas sim das empresas do setor, que apenas foram compilados pelos autores do relatório. Em entrevista exclusiva ao Estado, uma das autoras do Atlas, Judith Mackay, garante que a OMS fez questão de checar todos os dados antes de autorizar a vinculação da organização ao Atlas. Segundo ela, a OMS até mesmo pediu que os dados fossem enviados às organizações regionais, como a Organização Panamericana de Saúde, para que as entidades pudessem verificar as informações. "Todo esse processo atrasou a publicação do relatório, que estava programado para ser lançado há alguns meses", explica a autora. Para ela, o fato dessas projeções existirem, e de mostrarem um possível aumento do consumo nos próximos anos, é um sinal de alerta ao País sobre os planos das indústrias no Brasil. "O governo deve tomar essas informações como um alerta de que as empresas esperam aumentar suas vendas e que acreditam que o mercado irá crescer, e não diminuir", diz. Ela concorda que, se medidas preventivas forem tomadas, como as que existem no Brasil, a projeção de aumento do consumo pode acabar sendo frustrada. Outro motivo de questionamento por parte do Inca foi a informação do Atlas de que 858 cigarros são consumidos em média, por pessoa, no Brasil. O Instituto afirma que o dado não está correto e que o consumo per capita de cigarros no Brasil também caiu. Citando dados da Receita Federal, o Inca aponta que as vendas por pessoa caíram de 1,7 mil cigarros em 1989 para 1,19 mil unidades em 2001. A diferença é que o Atlas não inclui os números do consumo dos cigarros contrabandeados, como faz o Inca. A autora, porém, afirma que tirou as informações de um pesquisa que envolveu cerca de 20 fontes, entre elas as agências da ONU e do governo dos Estados Unidos. "Estou confiante sobre a legitimidade dos dados utilizados", diz. Ela conta que os brasileiros não foram os únicos a contestar os número apresentados pelo Atlas. Especialistas suíços e da Noruega também questionaram os dados sobre seus países.

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