INSS concedeu pensões por morte a 82.563 pessoas vivas

Entre 1963 e dezembro de 2001, o Instituto Nacional de Seguro Social(INSS)concedeu pensões por morte para 82.563 pessoas que estariam vivas e trabalhando. As prováveis fraudes foram detectadas por técnicos da Empresa de Tecnologia e Informação da Previdência Social (Dataprev) a partir do cruzamento de dados de dois sistemas da estatal. Os benefícios estão em nome de pessoas que, no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), constavam como trabalhadores ativos.O levantamento foi solicitado pela força tarefa composta por auditores do INSS, policiais federais e procuradores da República, que descobriram mais de 130 casos de pensões por morte pagas em nome de pessoas vivas, em São Gonçalo, município do Grande Rio. Foram usados dados fornecidos pela Caixa Econômica, Ministério do Trabalho e da própria Previdência.Em alguns dos casos de São Gonçalo, investigados em 2000, havia mais de uma viúva para o mesmo morto. Parte delas recebia o benefício apesar de jamais ter conhecido o contribuinte. Essas pensões foram suspensas sem que houvesse reclamação por parte dos beneficiários. A força tarefa apurou que, em muitos casos, o contribuinte dado como morto desconhecia a fraude.O cruzamento de dados indica existirem, no Rio, 16.613 casos de pensões por morte em que os contribuintes ainda estavam vivos após o benefício começar a ser pago. Desse total, 14.198 continuam a ser pagas mensalmente, consumindo R$ 6.035.006,00 mensais. O valor médio das pensões é de R$ 417,98 e o mais alto é de R$ 4.002,77. As irregularidades serão analisadas pela força tarefa, que avaliará se há, de fato, fraudes ou erros de cadastramento.Segundo a assessoria da Dataprev, a força tarefa identificou as datas em que os saques são feitos e a Polícia Federal poderá prender os beneficiários da pensão em flagrante, na hora em que forem retirar o dinheiro. Os fraudadores responderão criminalmente e terão que devolver os valores sacados indevidamente.A força tarefa vai trabalhar também para identificar os funcionários do INSS responsáveis pela concessão do benefício fraudado. Os servidores devem responder a processo criminal e poderão ser expulsos do serviço público.

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