Inspirado em Covas, FHC pede unidade partidária

As homenagens ao ex-governador Mário Covas foram transformadas em palco da disputa interna do partido em torno da sucessão presidencial. De um lado, o prefeito José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evocaram a memória de Covas para cobrar unidade do partido. Já o governador Geraldo Alckmin, estrela da noite de segunda-feira, apresentou uma plataforma de governo, "inspirada" nas ações do governador falecido há cinco anos.Dono do discurso mais bem-humorado do evento tucano, na Sala São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique assegurou que qualquer que seja o candidato tucano à sucessão de Lula haverá um PSDB unido. A Lula e aos petistas, mandou um recado, sem citar os adversários nominalmente. "Não temos medo de comparação. Muito menos no plano da honra", discursou, rebatendo às declarações do presidente Lula e de seus aliados de que a campanha pela reeleição será pautada pela comparação entre os quatro anos do governo petista e os dois mandatos de FHC.Ao falar sobre o momento político pelo qual passa o PSDB - a demora para definir entre Serra e Alckmin -, Fernando Henrique avisou que não existe política sem coragem e lealdade. "Não se constrói uma relação política sem lealdade. Não se constrói nada em política sem ousar. Há um momento em que tem que ousar", observou. Em seguida, recorreu a Mário Covas, para enfatizar a necessidade que a lealdade é palavra-chave nesse processo. "Lealdade igual à do Mário é raríssimas."O ex-presidente ressaltou que o PSDB, "unido na lealdade e na coragem" enfrentará a disputa em outubro próximo. Na mesma linha de Serra, que falara pouco antes dele, Fernando Henrique avisou: "Os que apostam na especulação vão quebrar a cara." Arrancou aplausos entusiasmados.Outras palmas foram dadas quando Fernando Henrique mencionou que "o futuro presidente" estava ali, na Sala São Paulo. Sentados na mesma fila, porém não lado a lado - Serra estava entre os pefelistas Claudio Lembo (vice-governador) e o presidente da Assembléia, Rodrigo Garcia, e Alckmin ao lado da viúva de Covas, dona Lila, e de sua esposa, Lu Alckmin - os pré-candidatos tucanos ouviam tudo atentamente.No evento organizado pelo Palácio dos Bandeirantes, o prefeito José Serra fez o discurso mais diplomático da noite. A despeito da platéia amplamente favorável a seu concorrente, Alckmin, acabou aplaudido de pé. Serra afirmou que o PSDB sofre hoje com "ataques especulativos". "Muitos se dedicam a ataques especulativos contra a unidade do PSDB e a sua clareza de propósito. São ataques especulativos", insistiu para, em seguida, afirmar: "Perderão todos aqueles que apostarem no desentendimento, no confronto, na cizânia e na falta de unidade", frisou, advertindo que tudo isso é caminho contrário a Mário Covas e da trajetória dele.Alckmin fez o último e o mais técnico discurso da noite. Concentrado em um balanço das realizações do governo Covas-Alckmin, apresentou uma plataforma de governo para o Brasil como continuidade desse trabalho. "Precisamos reconquistar para o Brasil um Estado voltado para o bem comum", pregou. À saída, questionado sobre os discursos de FHC e Serra, o governador ressaltou que o partido sairá unido.

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