Inspeção nuclear cria impasse entre Brasil e EUA

Um impasse entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre a inspeção da produção de urânio enriquecido no Brasil recolocou a segurança como tema prioritário na relação entre o Brasil e os EUA. Além da polêmica sobre a extensão das inspeções na primeira das plantas comerciais de produção de urânio levemente enriquecido do Brasil, em Resende (RJ), há uma insistência americana para que o governo brasileiro assine um protocolo adicional sobre inspeções da AIEA. O protocolo permitiria visitas de surpresa e mais profundas a instalações nucleares, mas o Brasil não tem pressa em assinar por motivos comerciais e de princípio. A questão ganhou visibilidade neste domingo, ao tornar-se a manchete principal do jornal americano Washington Post. De acordo com o jornal, o governo brasileiro recusou o acesso de inspetores nucleares da AIEA a partes do primeiro módulo de enriquecimento de urânio em construção no Rio, alegando seu direito de proteger segredo industrial. O impasse ocorre no momento em que a administração Bush intensifica sua campanha em favor de um protocolo adicional da AIEA, que expande seus poderes de inspeção. Na sexta-feira, o presidente George W. Bush enviou ao Senado americano o projeto de ratificação do novo protocolo.O novo embaixador do Brasil nos EUA, Roberto Abdenur, disse à Agência Estado que o Brasil "participou ativamente" do desenvolvimento do modelo do protocolo adicional "e nunca disse não à sua virtual adesão ao protocolo, mas não tem pressa em mover-se nessa direção". O embaixador apontou duas razões para essa atitude do governo brasileiro. "Consideramos o tratado discriminatório", afirma Abdenur. "E não aceitamos a posição apresentada pelos EUA e por outros países, como o Japão, a Coréia do Sul e a África do Sul, que fazem na defesa do protocolo adicional como condição sine qua non para a transferência internacional de tecnologia nuclear."

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