Inquérito investiga irmãos aliados de Jader

A Polícia Federal decidiu abrir mais três inquéritos contra os irmãos Romildo Onofre Soares, José Soares Sobrinho e Sebastião José Soares, aliados políticos do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), em Altamira (PA). Um dos inquéritos pode chegar à conclusão de que os recursos desviados da Sudam eram para custear campanhas políticas, conforme Romildo chegou a declarar em um telefonema, gravado pela PF.O delegado Helbio Dias Leite, que investiga as fraudes na Sudam, vai detalhar nos três inquéritos como era o sistema utilizado pelos irmãos Soares para desviar dinheiro, liberado pelo Fundo de Investimento da Amazônia (Finam) para as empresas Paraíso Agroindustrial, Frango Líder e Refrigerantes Xuí, todas instaladas em Tocantins. Além dos Soares, outras 12 pessoas, incluindo funcionários da Sudam, laranjas e contadores, serão investigados.Foi justamente na Paraíso Industrial que a PF e o Ministério Público Federal colheram as principais provas de que os recursos da Sudam foram destinados à campanha política. Em uma conversa entre Romildo e uma outra pessoa identificada como Benjamin, o empresário reclama do atraso na liberação de dinheiro.Benjamin pergunta para Romildo se ele tem idéia de quando haverá a liberação. Romildo responde: "Não, o negócio é o seguinte: este dinheiro tem que sair antes da campanha, porque uma parte dele eu arrumei para a campanha, entendeu?" Em seguida, ela reafirma: "Um pouquinho (do dinheiro) eu arrumei para a campanha, então é certeza que se chegar esse documento já hoje (dia 21 de setembro do ano passado), é certeza que até terça-feira nos libera."No mesmo diálogo, Romildo confirma que outros beneficiados com recursos da Sudam - a quem chama de "sudanzeiros" - estão quebrados. "Não saiu dinheiro para ninguém, e nós estamos levando a campanha aqui na marra." Hoje, a PF fez uma busca na empresa Paraíso Agroindustrial e constatou que o projeto ficou restrito a galpões abandonados, apesar de ter recebido financiamento de R$ 4,1 milhões do Finam, no ano passado. Será a partir deste empreendimento que a PF vai conduzir os demais inquéritos, que deve envolver também Geraldo Pinto da Silva e Maria Auxiliadora Barra Martins, donos dos principais escritórios de intermediação entre a Sudam e os projetos.

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