Inquérito do mensalão sobre Funaro não traz informações sobre Vaccari, diz MPF

Depoimento do doleiro foi prestado em 2008, como parte do processo do mensalão do PT

ANNE WARTH, Agencia Estado

19 de março de 2010 | 13h08

O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) informou nesta sexta-feira, 19, em nota oficial, que o material que recebeu da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que embasou a denúncia contra o doleiro Lúcio Bolonha Funaro por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro não faz nenhuma menção ao ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto, atual tesoureiro do PT.

Em nota, a procuradora Anamara Osório Silva, autora da denúncia oferecida em junho de 2008 e que levou à ação penal que tramita na Justiça contra Funaro e seu sócio, José Carlos Batista, esclareceu também que não pode confirmar se o depoimento concedido por Funaro em Brasília se deu por delação premiada.

"Tanto na documentação remetida pela PGR a São Paulo, que embasou a denúncia, quanto na própria acusação formal remetida à Justiça pelo MPF-SP, é necessário esclarecer, não há nenhuma menção ao ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto", afirma o texto. "O MPF em São Paulo não pode confirmar se o depoimento de Funaro, concedido em Brasília, se deu sob o instituto da 'delação premiada'."

De acordo com a Procuradoria, os depoimentos de Funaro dão conta de que ele e Batista se utilizaram da empresa da Garanhuns Empreendimentos para dissimular a transferência de R$ 6,5 milhões da agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, ao antigo Partido Liberal (PL). "São sobre essas operações de lavagem de dinheiro que trata o processo, que tramita normalmente perante à 2ª Vara Federal. A última movimentação processual constante é de fevereiro de 2010", diz a nota.

De acordo com a PGR, o material referente aos depoimentos de Funaro foi encaminhado ao MPF-SP pelo então procurador geral da República Antonio Fernando de Souza. A PGR não soube informar se a totalidade da documentação foi enviada, mas disse ser possível, caso alguma pessoa com foro privilegiado tenha sido citada, que parte do depoimento tenha permanecido em Brasília e faça referência a Vaccari e a Bancoop.

 

Correção: diferente do que informava o título anterior desta reportagem, Funaro citou sim em seu depoimento o ex-presidente da Bancoop e atual tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Vaccari, entretanto, não aparece no inquérito do mensalão.

 

Atualizada às 21h20 para correção.

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