Inquérito da Sudam acha conta em paraíso fiscal

O Ministério Público Federal descobriu nesta semana uma conta bancária nas Antilhas Holandesas, paraíso fiscal do Caribe, que pode ter sido o destino de dinheiro desviado pela máfia especializada em golpes contra a extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).A conta, de acordo com procuradores federais à frente das investigações, foi aberta por uma pessoa ligada ao Moinho Santo Antônio, empresa de José Osmar Borges, que é acusado de ser um dos maiores fraudadores da Sudam e foi sócio de Márcia Cristina Zaluth Centeno - mulher do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) - numa fazenda no interior do Pará. Os procuradores pretendem manter o nome do correntista em segredo até que seja confirmada a ilegalidade das operações e a origem do dinheiro depositado. Aprovado pela Sudam em 1997, o Moinho Santo Antônio foi apenas um dos projetos para os quais José Osmar Borges obteve financiamento da superintendência, que liberou recursos para outras cinco empresas do grupo, todas elas sob investigação por suspeita de fraudes: Pyramide Confecções, Pyramide Agropastoril, Saint-Germany Agroindustrial, Agropecuária Santa Júlia e Royal Etiquetas.Só o Moinho Santo Antônio, de acordo com o Ministério Público, recebeu R$ 6,7 milhões, mesmo após a Sudam ter sido alertada sobre as irregularidades identificadas nos demais empreendimentos de Borges. Paralelamente às investigações sobre a conta nas Antilhas Holandesas, os procuradores federais estão rastreando as ligações de José Osmar Borges para Jader e sua mulher.O parlamentar assegurou, às vésperas de ser eleito presidente do Senado, que mantinha pouco contato com o empresário e deixou de mencionar que sua mulher já tivera sociedade com ele numa fazenda.Em sua última edição, a revista Veja publicou cópias de extratos telefônicos comprovando que, num período de cinco meses, José Osmar Borges e Jader trocaram pelos menos 20 ligações.Um detalhe está dificultando o trabalho dos procuradores: em seus telefonemas para o presidente do Senado, o empresário usava vários aparelhos, principalmente celulares. Um dos telefones usados pertencia a um dos irmãos de José Osmar Borges e algumas ligações foram feitas de um hotel de Belém. Agora, o Ministério Público planeja quebrar o sigilo telefônico de Borges e de pessoas ligadas a ele. Na noite desta terça-feira, o delegado Luiz Fernando Ayres Machado, que preside o inquérito sobre a venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) da Fazenda Paraíso pelo empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva, suposto intermediário de Jader, iria reunir-se com o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), para definir uma investigação conjunta.Machado está analisando documentos sobre desapropriação de terras e vendas de TDAs. O advogado Gildo Ferraz, subprocurador aposentado, entregou-os à PF na segunda-feira, quando deu depoimento.

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