Inquérito da PF sobre desvios na Sudam acusa Jader

Desvios de recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) em apenas sete projetos do empresário José Osmar Borges causaram prejuízos equivalente a US$ 68 milhões aos cofres públicos. O esquema contou com a participação do ex-senador e deputado federal eleito Jader Barbalho (PMDB-PA), aponta inquérito concluído pela Polícia Federal em Mato Grosso. A PF entrega amanhã à Justiça Federal em Cuiabá os resultados das investigações.Além de Jader e Borges, o ex-superintendente da Sudam, Arthur Guedes Tourinho e outras 46 pessoas foram indiciadas por formação de quadrilha e desvio de dinheiro público. O indiciamento foi determinado pelo juiz da 2ª Vara Federal de Mato Grosso, Jefferson Schneider, que acolheu as denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal, com base no inquérito instaurado em outubro de 1997. Schneider deve conceder um prazo de 60 dias para a citação e intimação de todos os acusados. Eles vão ser ouvidos novamente, agora na Justiça Federal, e depois irão a julgamento.A ação penal do Ministério Público requer ainda instauração de ação fiscal contra cada um dos réus beneficiados com os recursos desviados, conforme laudo contábil deste ano da Receita Federal. Além de determinar investigação para recuperar valores depositados ilegalmente em Genebra, na Suíça, pelos "integrantes da organização criminosa", cita o procurador Pedro Taques. Em setembro deste ano o juiz Jefferson Schneider decretou a prisão de Jader Barbalho, José Osmar Borges, José Arthur Tourinho, acusados de participação em fraudes contra a empresa Pirâmide, de propriedade de Borges. Eles teriam desviado da Sudam, segundo o Ministério Público de Mato Grosso, R$ 240 milhões. A prisão preventiva foi a segunda aplicada em Jader somente este ano. No dia 16 de fevereiro ele chegou a passar 16 horas preso na Polícia Federal do Tocantins, mas foi libertado por força de um habeas corpus. Em outro inquérito, o ex-presidente do Senado é acusado de participação nos desvios de recursos da Usimar Componentes Automotivos, que recebeu R$ 44 milhões da autarquia, mas nunca saiu do papel. O Ministério Público Federal afirma que ele teria recebido cinco cheques de R$ 550 mil para ajudar na liberação dinheiro para o empreendimento.

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