Inpe não confirma antecipação de chuvas

A previsão de antecipação de chuvas para o mês de agosto, divulgada na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Meteorologia esta semana, não tem comprovação científica, garantem os técnicos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC - Inpe). Além disso, mesmo que as chuvas fossem antecipadas, isso não resolveria o problema do racionamento de energia. "A chuva chegar antes não significa que vai ter mais volume, pois a data em que ela começa não tem grande relação com período ser mais chuvoso ou não. O que importa realmente é o volume", disse o coordenador do CPTEC, Carlos Nobre.Nobre ressaltou que, nos últimos 50 anos, a antecipação do período chuvoso para agosto ocorreu em menos de 20% dos anos. Os dados do último boletim do Inpe, de fevereiro, contradizem a informação divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Ministério da Agricultura, de que as chuvas este ano podem chegar em meados de agosto e início de setembro.Pelos estudos históricos das chuvas, os pesquisadores do CPTEC indicam que a estação chuvosa no Sudeste, Centro-Oeste e sul do Nordeste deve começar entre final de setembro e início de outubro, como já acontece nos outros anos. Nobre explicou que não dá para se basear no fato da não ocorrência de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña para afirmar que o período de chuvas pode ser antecipado. "Até porque El Niño e La Niña não influenciam a região onde há racionamento. Eles atuam mais no extremo sul do Brasil, no norte e leste da Amazônia e norte do Nordeste", explicou. "É um enorme risco dizer com antecedência de meses o período de início de um período de chuvas porque a dinâmica da atmosfera não permite esse tipo de previsão". O CPTEC prevê um índice de chuvas próximo da média histórica para os meses de junho, julho e agosto deste ano para o Sudeste, Centro-Oeste e sul do Nordeste. No entanto, eles ressaltam que suas previsões são de baixa confiabilidade por conta da dinâmica da atmosfera, que não permite a realização de previsões precisas muita antecedência. Por enquanto, o déficit continua, pois não choverá o suficiente para repor o que já foi perdido durante a estiagem, afirmam. Entre outubro de 2000 e abril deste ano, a chuva ficou 22% abaixo da média nas bacias dos rios Paranaíba e Grande. "As regiões afetadas pelo racionamento enfrentam um período de seca no inverno, isso já é conhecido. Não devemos esperar um milagre", apontou Nobre. Ele comentou que para que os reservatórios dessas regiões chegarem perto de 100% de sua capacidade, seria necessário um "dilúvio bíblico", chuvas acima da média durante vários anos seguidos. "O que vai determinar o período de racionamento não são as chuvas de inverno, mas as de verão", destacou.Apesar do governo federal estar comemorando um ligeiro aumento no mês de maio na quantidade de chuvas, os pesquisadores do CPTE ressaltam que normalmente, entre junho e agosto, chove apenas 5% da chuva anual nessas regiões. As únicas áreas chuvosas nos meses de junho, julho e agosto no Brasil são o litoral leste do Nordeste, o sul da Região Sul e o extremo norte do País. O especialista Chou Sin Chan e sua equipe no departamento de Operação Meteorológica/Grupo Operacional de Clima do CPTEC fez um estudo com previsão para os meses de junho a agosto, período em que o racionamento já está vigorando. Na Região Norte, as chuvas deverão estar acima da média, variando de 100 a 400 milímetros, principalmente no extremo norte, onde fica a foz do rio Amazonas. No norte do Pará e noroeste do Amazonas, os valores poderão ser superiores a 400. Na Região Nordeste, a chuvas serão mais freqüentes na faixa leste e no extremo noroeste do Maranhão, onde a precipitação ficará entre 200 a 600 milímetros, ligeiramente abaixo da média histórica. No interior, as chuvas diminuem gradativamente, sendo que no semi-árido a tendência é de chuvas em torno da média. No Sudeste e Centro-Oeste, a previsão para junho, julho e agosto é de normalidade, sendo esse o período mais seco do ano nessas regiões. Os valores são inferiores a 100 milímetros para todo o trimestre, exceto no sul do Mato Grosso do Sul e em quase todo o Estado de São Paulo, onde a média ficará entre 100 e 200 milímetros. O Sul poderá ter um quadro mais positivo nesses meses, com chuvas variando de normais a ligeiramente acima da média histórica no litoral e extremo sul, e normalidade no restante da área.

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