‘Iniciar ajuste pelos trabalhadores é um erro’

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) foi a organização sindical que apresentou melhor desempenho, em termos de evolução da representatividade, nos últimos cinco anos.

Entrevista com

Ricardo Patah, presidente da UGT

Roldão Arruda, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2015 | 22h00

O fato está relacionado ao aumento do peso do setor do comércio – onde a UGT concentra suas forças – no conjunto da economia do País, ao mesmo tempo que decai o peso da indústria. Mas, segundo o presidente da UGT, Ricardo Patah, esse não é o único fator.

Como o senhor explica o crescimento da UGT?

As outras centrais sempre se voltaram mais para as chamadas áreas nobres do sindicalismo. A CUT voltou-se para o funcionalismo público e a Força, para o setor metalúrgico. Nós começamos a valorizar os sindicatos considerados de segunda categoria, que incluem comerciários, terceirizados, varredores de rua, empregados de padarias. As outras centrais falavam em chão de fábrica. Nós começamos a falar em chão de loja. Cerca de 60% dos comerciários do País estão ligados hoje à UGT. Outro fator que deve ser considerado é a nossa pluralidade democrática. Enquanto a CUT está claramente vinculado ao PT e a Força, ao Solidariedade, a UGT tem ligações com vários partidos.

Mas o senhor é filiado ao PSD.

Eu sou. Mas também temos gente do PT, PPS, PV e outros partidos. Nosso vice-presidente é filiado ao PV. Os partidos não devem utilizar as centrais como massa de manobra. Eles devem estar a serviço dos trabalhadores, da sociedade. A excessiva partidarização das centrais não passa desapercebida aos trabalhadores.

Como vê as medidas de reajuste fiscal do governo Dilma?

Eu confio na presidente, mas acho que cometeu um erro estratégico, ao iniciar o reajuste pelos trabalhadores. O valor da economia que o governo fará com essas medidas será baixo, mas o custo social é enorme e causa tumulto. É claro que podemos nos entender por meio do diálogo. Mas ele só vai funcionar se o governo demonstrar que está levando as mudanças a sério, cortando, por exemplo, o número de ministérios e reduzindo a quantidade de cargos comissionados.

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