Iniciais de Marinho aparecem em bilhete que cita ''remuneração''

Duas iniciais de nomes diferentes aparecem em anotações internas escritas em bilhetes apreendidos pelo Ministério Público suíço na sede da Alstom naquele país, e ligam a duas pessoas que trabalharam diretamente com o governador Mario Covas no período em que as propinas teriam sido negociadas. São "R.M." e "C.M.", esse último identificado nos documentos como Cláudio Mendes. Ambas iniciais fazem referência a um "ex-secretário do governador", supostamente encarregado de intermediar a negociação das "gratificações ilícitas" pagas a pessoas ligadas ao governo de São Paulo entre outubro de 1988 e abril de 2001.Os investigadores suíços não têm explicação para a existência de iniciais diferentes para funções semelhantes, ao menos por enquanto. Avalia-se que pode se tratar de pessoas diferentes, pseudônimos para uma mesma pessoa ou apenas um erro de grafia. As inicias R.M. aparecem em uma anotação em francês que indica o destino da suposta "remuneração" negociada em troca da assinatura do termo aditivo que ampliou um contrato existente entre a Alstom e a Eletropaulo. Cobriria "le tribunal de comptes" (o Tribunal de Contas do Estado), "le secrétariat de l?energie" (a Secretaria de Estado de Energia) e "les finances de partie". Autoridades ligadas à investigação consideravam inicialmente que esta última referência significasse "finanças das partes", mas, como a grafia em francês não está correta, há dúvidas sobre isso.Segundo o relato das autoridades suíças, a nota não tem data identificada, mas provavelmente foi escrita em 1997. Não há informação sobre o autor. Os erros de grafia na transcrição em francês fornecida ao governo brasileiro ainda estão sendo esclarecidos.Uma outra anotação interna indica que o suposto ex-secretário do governador de São Paulo em questão seria uma pessoa chamada Cláudio Mendes, que teria agido no caso como intermediário, apareceria em outros documentos com as iniciais "C.M." e também teria sido favorecido pelas empresas do grupo Alstom e Cegelec.SEGREDOO autor do bilhete apreendido pelo Ministério Público suíço com a Alstom naquele país pediu para que o nome do intermediário que teria negociado a suposta propina com o governo paulista não fosse revelado para a filial brasileira da multinacional francesa. "Eu peço que a identidade do intermediário não seja informada à organização GA do Brasil", diz o texto.

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