Inglaterra libera drogas contra o colesterol

Numa tentativa de prevenir ataques do coração, a Inglaterra será o primeiro país a permitir a venda de medicamentos contra o colesterol sem necessidade de receita médica, anunciou hoje o governo britânico.A Fundação Britânica do Coração aprovou a decisão mas vários especialistas temem que o público tome essa liberação como uma prova de que esses medicamentos não representam qualquer tipo de risco.Funcionários da saúde anunciaram que uma versão em dose mais fraca do simvastatin, comercializado pelo laboratório Zocor by Merck and Co., de New Jersey (EUA), estarão disponíveis para venda sem prescrição médica no até o fim do ano.O simvastatin pertence a uma classe de drogas chamadas estatinas, consideradas uma arma poderosa contra a construção de depósitos de gordura nas artérias, o que leva a ataques do coração e enfartes.?A evidência é que, em pessoas com risco de ataque cardiáco e enfarte, tomar 10 miligramas de simvastatin todas as noites pode reduzir a ameaça em cerca de 27?, diz Sir Charles George, diretor médico da Fundação do Coração.?Esta medida permitirá a mais pessoas protegerem-se dos riscos de entupimento das coronárias e ataques do coração?, justificou o ministro da Saúde, John Reid. ?Ao estender o acesso a esse medicamento, estamos dando às pessoas mais opções de como protegerem sua saúde. Temos o compromisso de aumentar as escolhas quando cientes de que isto é seguro.?Os farmacêuticos terão apenas de fazer uma série de perguntas e, se necessário, oferecer um leque de testes de saúde opcionais, para dar segurança ao paciente quanto a compra da droga.Mas a Escola Real de Clínicos Gerais e a Associação Britânica de Medicina estão levantando questões sobre a decisão.?Estamos preocupados de que não haja uma completa avaliação de segurança antes que a droga seja vendida?, diz o dr. John Chisholm, presidente do comitê de clínicos gerais da Associação Britânica de Medicina. ?Pacientes com tratamento de estatina devem ser monitorados regularmente para assegurar-se a eficácia do tratamento.?Segundo ele, ?para pacientes que necessitem de estatina uma baixa dosagem, como a oferecida agora, pode não ser suficiente para reduzir o colesterol a níveis seguros.?O medicamento também pode ser vendido a quem não o necessita, diz o dr. Jim Jennedy, da Escola Real. ?Os riscos representados pela droga, nesse caso, superariam os benefícios?, afirma.Os efeitos colaterais do medicamento são, normalmente, fracos e temporários, e envolvem principalmente dores musculares e de cabeça.

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