Infra-estrutura terá US$ 400 mi garantidos em 2003

O próximo governo terá garantidos cerca de US$ 400 milhões de financiamentos para projetos estratégicos de infra-estrutura, especialmente nas áreas de transportes, energia e comunicações. O dinheiro será financiado pela Corporação Andina de Fomento (CAF), um organismo multilateral de crédito que atua na América do Sul e no Caribe. A maior oferta de recursos para o Brasil resultará da decisão recente do governo de dobrar sua participação acionária na CAF, que passará de US$ 50 milhões para US$ 100 milhões. O desembolso de US$ 50 milhões se dará nos próximos dois anos e deverá impulsionar financiamentos de projetos numa proporção equivalente a até oito vezes o valor do novo capital subscrito na instituição. O aumento da participação brasileira na CAF será anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso nos dias 26 e 27, em Guayaquil (Equador), na segunda reunião de cúpula da América do Sul, em que será reafirmado o compromisso dos chefes de Estado pela maior integração da região. A decisão será formalizada em Caracas (Venezuela), na terça-feira, onde acontecerá a reunião da diretoria-executiva da Corporação, em que o Brasil é representado pelo ministro do Planejamento, Guilherme Dias. Segundo o ministro, ao elevar sua cota no CAF, o Brasil viabilizará obras voltadas à integração com os países vizinhos, várias delas incluídas no programa Avança Brasil e que não deslancharam por falta de recursos. É o caso da parcela brasileira do eixo multimodal da Amazônia, que ampliará a rede de transportes na região, bem como os trechos rodoviários ligando o Brasil ao Peru e Porto Alegre a Antofogasta, no Chile. "O andamento dessas obras é fundamental para impulsionar o desenvolvimento da região", sublinhou Dias. Empréstimos - A CAF já emprestou US$ 282 milhões ao governo brasileiro para participar de obras estratégicas que custarão US$ 1,853 bilhão no total. Esses projetos também contam com recursos de outros países beneficiados da região e do setor privado. O principal deles é o gasoduto Brasil-Bolívia, que consumirá US$ 1,541 bilhão, dos quais US$ 60 milhões financiados pela CAF. Outros empréstimos foram feitos para a pavimentação da BR-174 no Amazonas e em Roraima, a interligação elétrica entre Boa Vista (Roraima) e Venezuela, o abastecimento de energia elétrica em Roraima e o programa de gerenciamento da malha rodoviária. Esses projetos são parte da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul (Iirsa), instituída na primeira reunião dos presidentes da América do Sul, realizada há dois anos em Brasília. O encontro foi idealizado pelo governo brasileiro, dentro da estratégia de fortalecer sua liderança na região e fortalecer o bloco sul-americano durante o processo de introdução da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A identificação dos projetos prioritários seguiu a metodologia do Avança Brasil, com a nomeação de um gerente para cada um dos principais eixos de integração. Além do avanço nas obras de infra-estrutura, outra frente de atuação é a tentativa de uniformizar os marcos regulatórios na prestação de serviços de comunicações e energia. "A convergência dessas leis é tão importante para a integração física da região como a convergência das políticas macroeconômicas é fundamental para a união comercial", disse Dias, que participará nesta semana em Caracas (Venezuela) da reunião anual da CAF. Segundo o ministro, o Brasil poderia ter importado mais energia dos países vizinhos no ano passado, durante a crise no setor, se a legislação estivesse voltada para possibilitar a venda de serviços entre os países.

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