Influência dos eleitores de centro aumenta

Para cientistas políticos, isso se deve à polarização entre PSDB e PT

Roldão Arruda, CAXAMBU, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

A importância política dos eleitores situados no centro do espectro político, entre a direita e a esquerda, deve aumentar cada vez mais no País. De acordo com cientistas políticos, isso deve-se à clara tendência de fortalecimento do PSDB e do PT, com o conseqüente processo de bipolarização eleitoral.O tema esteve no centro de debates políticos realizados na semana que passou em Caxambu (MG), onde se reuniram cientistas políticos no encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Em um debate, Fernando Limongi e Lara Mesquita, da USP, apresentaram estudo sobre o comportamento do eleitor na capital paulista, onde estão os indicadores da polarização.Eles demonstraram que nos últimos 15 anos o mercado eleitoral paulistano foi controlado por três partidos - PT, PSDB e PP. Mais recentemente, com a perda de poder político do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), tucanos e petistas ampliaram seu espaço. Para Limongi e Lara isso demonstra o fechamento do mercado. "Estamos longe de observar a tão decantada fragilidade dos partidos brasileiros na arena eleitoral", escreveram no estudo.No cenário nacional, a bipolarização tende a se acentuar na disputa presidencial. "Uma vez que o PMDB não tem emplacado candidatos desde Ulysses Guimarães, na eleição presidencial que se avizinha teremos mais uma vez duas candidaturas fortes, do PSDB e do PT, dentro de um processo de consolidação da democracia", assinalou Fabiano Santos, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio (Iuperj). "Vai ganhar quem conquistar o eleitor do centro."Pela sua análise, o PT continuará sendo a opção do eleitor da esquerda mais moderada para o centro, enquanto o PSDB conquista votos da direita para o centro. Como nenhum dos dois tem força suficiente para levar sozinho o cargo, devem correr em direção ao centro.Para o PT, o maior desafio será conquistar a classe média do Sul e Sudeste, que teria sido a menos beneficiada no atual governo: enquanto a concentração de investimentos no Nordeste levou algumas localidades a experimentar taxas de crescimento de 10% ao ano, a classe média do Sul e Sudeste não alcançou nem a metade daquele índice. Os efeitos eleitorais do Bolsa-Família também foram discutidos. Mais de um analista observou que a população pobre tende a encarar o programa como um direito - e não como benefício passageiro. "O benefício não é constitucional, como outros programas, mas a sociedade já se apoderou dele e nenhum político, muito provavelmente, falará em extingui-lo", observou a socióloga Amélia Cohn, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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