Inflação derruba popularidade de Dilma

Sondagem feita antes dos protestos aponta queda de 8 pontos em pesquisa CNI/Ibope

O Estado de S. Paulo,

19 Junho 2013 | 21h54

A deterioração da popularidade da presidente Dilma Rousseff, detectada pela pesquisa da Confederação Brasileira da Indústria (CNI)/Ibope, revelou que o script adotado pela oposição de bater na tecla da inflação surtiu efeito e deixou o governo derrotado na “batalha do tomate”. A expressão foi usada pelos próprios petistas numa referência à fruta vilã da alta dos preços, cujo aumento no acumulado do ano foi de 51,6% segundo o IBGE. 

Com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais e para menos, a pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 11 de junho, período anterior ao auge das manifestações de rua que tomaram conta de diversas cidades, originadas por um protesto contra o aumento das tarifas de ônibus. Não detectou o grau de aderência na imagem dos políticos, incluindo a da presidente, das manifestações e protestos dos últimos dias. Foram entrevistadas 2002 pessoas em 143 municípios.

De acordo com o levantamento divulgado nesta quarta-feira, a proporção dos que consideram o governo ótimo ou bom caiu de 63% para 55% em relação à última pesquisa, de março. Já os que consideram o governo ruim ou péssimo cresceu de 7% para 13% – o que, segundo a CNI, é o maior porcentual desde o início do governo Dilma. Outros 32% consideram o governo regular.

Os dados da CNI/Ibope indicaram a tendência de queda na aprovação do governo, já apurada em pesquisa do instituto Datafolha, divulgada no dia 8. Naquela sondagem, a popularidade da presidente passou de 65% para 57%. O Datafolha apurou que a queda na popularidade tinha origem na decepção com a situação econômica do País.

A mesma percepção se repetiu agora. Entre as causas da queda da popularidade do governo Dilma apontadas pela CNI/Ibope está a percepção do brasileiro de que as armas de combate ao aumento de preço têm se mostrado ineficientes.

Inflação. Segundo a sondagem, 57% desaprovaram a forma como o governo combate a inflação (eram 47% em março). Nesse período, foram intensas as críticas da oposição aos métodos do governo para combater a carestia. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência, afirmou que Dilma “é leniente” com a inflação. Os programas dos partidos de oposição na TV fizeram forte carga na ineficácia do combate à alta dos preços.

Para o diretor executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, por ter sido realizada num período anterior ao ápice das manifestações, os “dados não contaminaram as razões da queda do governo”.

Três áreas obtiveram aprovação por mais da metade da população: combate à fome e à pobreza, meio ambiente e combate ao desemprego. E seis áreas foram desaprovadas: segurança pública, saúde, impostos, combate à inflação, juros e educação.

A área de segurança pública obteve a maior desaprovação, 67%. Mas não houve mudanças significativas em relação ao levantamento feito em março. A saúde também está entre os setores com a pior avaliação. E aumentou de 18% para 25% o porcentual dos que consideram o governo de Dilma pior do que o de seu antecessor e padrinho Luiz Inácio Lula da Silva.

Auxiliares da presidente tentaram minimizar a queda de popularidade, dizendo que os números ainda são muito bons. Afirmaram não acreditar que as manifestações de rua possam reduzir mais a aprovação da presidente. Sustentam, por fim, que não se pode dizer que há uma tendência de queda na popularidade de Dilma.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a pesquisa retrata uma situação episódica. “Não gosto de comentar pesquisa, até porque pesquisa são retratos do momento, que se alteram. Não vejo nenhuma relação de causa e efeito entre um governo que é muito bem avaliado e as manifestações”, afirmou ele.

Petistas, no entanto, admitem que a inflação foi o motivo central da queda da popularidade. “Perdemos a batalha de comunicação sobre a inflação e para o tomate”, disse o presidente em exercício da Câmara, André Vargas (PT-PR). “Não há dúvidas de que a inflação está persistente e as notícias nos meios de comunicação foram muito desfavoráveis”, avalia o ex-presidente do PT, deputadoRicardo Berzoini (SP). / JOÃO DOMINGOS, DAIENE CARDOSO, LAÍS ALEGRETTI, EDUARDO BRESCIANI, ERICH DECAT e TÂNIA MONTEIRO

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