Infiéis do PT vão recorrer de punição da Executiva

Os 12 parlamentares do PT punidos pela Executiva Nacional do partido porquevotaram a favor de um salário mínimo maior do que os R$ 260 fixados pelo governo vão recorrer ao Diretório Nacional pedindo aanulação do castigo. Os nove deputados e os três senadores estão proibidos de representar a legenda no Congresso ou foradele até que haja uma repactuação na relação dos parlamentares rebeldes e a cúpula partidária. O recurso deverá ser divulgado hoje após reunião do grupo, que está acertando o texto final do documento. ?Queremos ouvir daExecutiva que repactuação é essa, porque a nossa divergência é com a política econômica do governo, não com o PT?, afirmoua deputada Maninha (PT-DF). A deputada ressaltou que o grupo não pretende sair do PT.Para pedir a anulação da punição, os parlamentares argumentam que não foram ouvidos nem tiveram direito de defesa noprocesso. Para eles, apesar de o Executivo ter discutido o valor do mínimo por dois meses, as instâncias partidárias na Câmarae no Senado não foram ouvidas e tiveram apenas função homologatória da decisão do governo. Além disso, consideram que oPT tem tradição na defesa de um salário mínimo maior.?A novidade negativa foi o PT defender um mínimo tão baixo?, afirmou o deputado Chico Alencar (PT-RJ), um dos punidos. Além de Maninha e Alencar, foram punidos os deputados Walter Pinheiro (BA), Ivan Valente (SP), Doutora Clair (PR), OrlandoFantazzini (SP), Mauro Passos (SC), João Alfredo (CE) e Paulo Rubem Santiago (PE). Os três senadores punidos foram: PauloPaim (RS), Flávio Arns (PR) e Serys Slessarenko (MT). Exceto a deputada Doutora Clair, os oito deputados do PT já forampunidos no ano passado com a suspensão da bancada por seis meses porque votaram contra a orientação do governo nareforma da Previdência. Uma punição radical dessa vez poderia colocar em risco a hegemonia do PT na Câmara, que tem umabancada de 89 deputados. O maior partido ou bloco parlamentar tem a prerrogativa de indicar o presidente da Casa.

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