TV Brasil / Reprodução
TV Brasil / Reprodução

Infectologistas criticam 'tira e põe' de máscaras em coletiva de Bolsonaro

Durante a coletiva, parte dos integrantes do governo tirava a máscara quando ia falar ao microfone

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 18h46

O ‘tira e põe’ de máscaras por parte do presidente Jair Bolsonaro e de alguns ministros, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 18, não está de acordo com as orientações médicas, afirmam infectologistas ouvidos pelo Estado. Em conversa com jornalistas, parte dos integrantes do governo tiravam a máscara quando iam falar ao microfone.

“O objetivo da máscara é evitar a dispersão de qualquer partícula. Não faz sentido tirar a máscara para falar ao microfone. Quando você faz isso, permite, mesmo não tossindo ou espirrando, que as secreções eliminadas na fala se dispersem”, afirma o médico infectologista André Giglio Bueno

Em alguns momentos, o presidente também colocou a mão na superfície da máscara, atitude não recomendada pelos médicos. “É justamente onde ficam barradas partículas infectantes. Essa parte da máscara fica contaminada. Se você coloca a mão, teoricamente tem o risco de contaminar a mão com vírus e bactérias”, diz Bueno.  

Celso Granato, diretor médico do Grupo Fleury e professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a orientação para pessoas que tiveram contato com infectados pelo novo coronavírus é que usem a máscara durante o período de incubação, pois é possível uma transmissão nesse intervalo.  

No caso do presidente Jair Bolsonaro, a recomendação se aplica, visto que ele se reuniu pelo menos em duas ocasiões na terça-feira com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, cujo exame deu positivo para coronavírus.

“A recomendação é que a pessoa fique com a máscara durante os 12 dias de incubação, podendo tirar apenas em casa, quando não tiver contato com outras pessoas. Caso tire em outro ambiente, teoricamente colocará em risco os demais”, diz Granato. 

A coletiva de imprensa desta quarta foi um “jogo dos sete erros”, diz o professor de infectologia e diretor de pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimilson Migowski. “Não tem que tirar a máscara para falar. Ainda mais daquele jeito, colocando a mão nela e também no rosto. Aquelas máscaras e nada é a mesma coisa.”

Outro erro mencionado por Migowski foi a distância entre os ministros. “Eles deveriam estar a um metro e meio de distância um do outro, usando álcool em gel o tempo todo. Aqueles que tiveram contato com quem testou positivo nem deveriam estar lá, mas reclusos em casa.” O infectologista afirmou ainda que o melhor seria ter buscado alternativas de se fazer a coletiva, como por videoconferência, evitando a aglomeração de pessoas.

Paulo Olzon, clínico-geral e infectologista da Unifesp a máscara é muito mais um lembrete para não passar a mão no rosto. "Ela tem uma efetividade duvidosa. Uma máscara como essa, que não tampa totalmente, é cheia de furinhos, você respira e as coisas podem passar”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.