<i>New York Times</i> dá destaque a recuo de Lula

Em longo artigo do jornalista Warren Hoge, o New York Times noticiou ontem, com destaque, a decisão do governo brasileiro de revogar a punição de seu correspondente no Brasil, Larry Rohter. Sem mencionar, em nenhum momento, a questão da retratação do jornalista - que o jornal negou ter apresentado, - a reportagem fala da "forte reação" partida de meios jurídicos e da imprensa do País, destacando entre esses fatores o editorial do Estado na quinta-feira. "A decisão do sr. da Silva, na terça-feira, de expulsar Larry Rohter", diz o Times, "provocou uma forte reação, conduzida por associações de jornalistas, advogados, grupos jurídicos e políticos da oposição. O mais influente jornal brasileiro, O Estado de S. Paulo, publicou um editorial na quinta-feira definindo a ação presidencial como "uma monumental estupidez". Warren Hoge destaca, no início do texto, o papel do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que assumiu o controle da situação "depois de receber uma carta dos advogados brasileiros de Rohter afirmando que ele não havia tido nenhuma intenção de ofender (Lula) da Silva e lamentando qualquer incômodo que a reportagem tenha causado". Ele lembra em seguida a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Na segunda-feira, da Silva disse que o texto representava ?um ataque malicioso contra a instituição da Presidência? e na terça-feira determinou que o visto de Rohter fosse suspenso". E acrescenta: "Inicialmente, a imprensa brasileira e grande parte da opinião pública apoiaram a violenta resposta ao artigo e deram força às suas denúncias". Má tradução O jornal chama a atenção, em seguida, para o possível problema de tradução da reportagem, mencionado no requerimento mandado pelos advogados de Rohter ao governo, na tarde de sexta-feira. "No requerimento, Rohter, que fala fluentemente o português, argumentou que a tradução de seu artigo havia sido mal traduzida pela imprensa brasileira - um fato que teria tornado bem maior a confusão." É mencionada ainda a crítica dos analistas ao fato de o presidente brasileiro ?ter baseado sua ação em uma lei de imprensa repressiva e desacreditada, dos tempos da ditadura militar, que havia perseguido e prendido (o presidente Lula) da Silva e muitos membros de seu governo esquerdista." Depois, refere-se à advertência feita na quinta-feira pelo porta-voz do Departamento de Estado americano, Richard Boucher. Para Boucher, diz o Times, o gesto de Lula "não estava de acordo com o forte compromisso do Brasil com a liberdade de imprensa". Por fim, o jornal lembra que na quarta-feira Lula disse "que não iria considerar (a hipótese de) reverter sua ação", mas no dia seguinte já afirmava que "poderia reconsiderar se o Times se retratasse". Depois de anunciada a disposição do presidente Lula de desistir da punição, prossegue o autor, o jornal divulgou uma declaração sobre o episódio. Nela, o Times revela sua "satisfação" pela solução do caso mas reafirma a posição anterior de que o conteúdo da reportagem lhe parece "fiel e correto". E conclui com o trecho final da nota: ´Estamos felizes por (saber que) o sr. Rohter poderá viajar livremente no Brasil e para fora. Tanto o Brasil quanto o New York Times se beneficiarão por haver um correspondente do Times trabalhando nesse importante país".

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