Indústria quer pressa no desenrolar do impeachment

Robson Andrade, da CNI, diz que rito do processo tem de seguir ‘o mais rápido possível’ paradestravar a economia

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2015 | 07h44

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o setor quer pressa em uma decisão sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, deflagrado na Câmara.

Segundo Andrade, a CNI não fechou um posicionamento sobre a permanência da presidente no cargo, mas defende que o processo de impeachment, considerado “democrático”, seja rápido. “Somos a favor de que esse rito seja seguido o mais rápido possível. Não temos um posicionamento político a favor ou contra o impeachment. O Congresso que tem que fazer esse julgamento, com legitimidade ou não, seguindo o rito do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo ele, a sociedade brasileira vai ser “benevolente” com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) caso ele assuma o comando do País após um eventual impedimento da presidente Dilma Rousseff.

“Se, por acaso, tiver o impeachment e o vice-presidente Michel Temer assumir, tenho certeza de que vai ter um período de graça e benevolência da sociedade brasileira, que vai dar (a ele) um prazo, acreditando que ele vai fazer as reformas e mudanças necessárias”, afirmou Andrade, em entrevista coletiva na quarta-feira. “Acho que este período não vai ser longo. O povo não está tendo muita paciência”, completou.

Andrade afirmou que, depois da análise do processo, se a presidente for “absolvida”, ela terá mais força para terminar seu mandato. “Acredito nisso: ela deve ter um aval para tomar as decisões que o País precisa para sair dessa situação”, afirmou.

Fiesp. Na segunda-feira passada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declarou apoio ao impeachment de Dilma, em um duro golpe para o Planalto no setor produtivo do País. O governo ainda tenta convencer os empresários de que Dilma ainda tem condições de reagir na economia.

A oposição, por sua vez, aposta no que chama de “Fator Temer” para reforçar a percepção de que somente a troca de comando na Presidência pode recuperar as finanças do País.

A posição da Fiesp, que é inédita na história da entidade, foi aprovada por unanimidade depois de uma reunião conjunta entre o conselho de representantes, a diretoria da Federação e a cúpula do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). “Essa posição oficial foi tomada devido ao momento que nós chegamos", disse o empresário Paulo Skaf, presidente da entidade e um dos principais interlocutores de Temer no empresariado.

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