Indústria do tabaco pede moderação ao fumante

Para contra-atacar as campanhas do Ministério da Saúde dirigidas contra a indústria do tabaco, a Souza Cruz divulgou a lista das 134 substâncias que são adicionadas ao fumo. Também está lançando uma campanha com o slogan "fume com moderação" e uma central de atendimento para as pessoas que querem parar de fumar. Por equanto, a empresa informou apenas quais são os produtos liberados na fumaça dos cigarros da marca Free, que contém os menores índices de alcatrão e nicotina. Mas a partir do próximo dia 16 ela promete que todos os cigarros terão a composição descrita na página eletrônica da empresa (www.souzacruz.com.br). "Uma empresa responsável tem de disponibilizar o máximo de informações possíveis. Defendemos o princípio da transparência", disse o presidente da empresa, Flávio Andrade. Andrade não admitiu que esteja rebatendo os ataques sofridos recentemente pelas campanhas antitabagistas do ministério e disse que o objetivo da campanha é "acabar com as crenças".A informação da Souza Cruz sobre a composição do cigaro é questionada pela especialista em fumo e diretora da divisão de controle do Instituto Nacional do Câncer, Tânia Cavalcante. Segundo ela, o método utilizado pela empresa para medir os índices de nicotina e outras substâncias da fumaça não é preciso. Nele são utilizadas máquinas que simulam a inalação. "Mas o que sabemos é que o ser humano acaba absorvendo mais nicotina porque, mesmo fumando um cigarro supostamente light, ele vai inalar mais até obter o nível de nicotina que sua dependência exige", disse.Ela criticou ainda o slogan "Fume Com Moderação". "Para quem é dependente - e isso significa 80% dos fumantes - não existe moderação porque ele precisa absorver uma quantidade diária de nicotina para não se sentir mal."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.