Indústria bélica cria granada contra a dengue

As indústrias bélicas Imbel e Target desenvolveram um pulverizador para ajudar no combate contra a proliferação do aedes aegypti. O novo equipamento é semelhante a uma granada, que pode ser lançada em locais de difícil acesso, como terrenos abandonados e casas fechadas. Ainda sem nome, o produto, apesar de ser anunciado como uma ?granada? contra a dengue, não explode.O pulverizador manual, criado pelo químico Darwin Monteiro, foi desenvolvido pela Target Engenharia, que investiu cerca de R$ 200 mil no projeto em parceria com a Imbel, indústria bélica, de Piquete. "Desde o começo queríamos que o pulverizador tivesse utilização de caráter social", afirmou o diretor da Target, Roberto Miscow Ferreira. O produto, atualmente passando por testes no Instituto de Biologia do Exército, no Rio de Janeiro, já foi testado pelo Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos. Segundo Ferreira, o pulverizador de bolso, semelhante a uma lata de alumínio, obteve laudo positivo nas provas de vibração, choque térmico duplo e estocagem em alta temperatura. "Ficou claro que o produto não apresenta risco para seu utilizador", garantiu o diretor da Target. Sobre os riscos de uma possível explosão da "granada contra a dengue", o diretor afirmou que as duas empresas têm certeza da segurança do produto. Ele explica que, depois que a pessoa retira um grampo de travamento, tem início a queima da carga de pólvora e inseticida, liberando grande quantidade de fumaça impregnada. O produto foi testado também pela Fundação Nacional de Saúde, tendo sido aprovado pelo Laboratório de Controle de Neurovirulência da Fundação Oswaldo Cruz, que expediu laudo comprovando "êxito de 100% no controle de insetos alados e rasteiros".Mas o produto não estará à venda para todos os consumidores. Por ter uso específico, será de utilização controlada pelo Exército, assim como são as armas. Em 30 dias, o governo vai receber um lote com mil unidades para comprovar sua eficácia e, só então, será iniciada a produção oficial. "A meta da produção vai depender do laudo do governo", afirmou Ferreira. Além de ser mais uma arma na guerra contra o aedes, a produção deve gerar 30 empregos em São José dos Campos.

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