Índios yanomami sequestram monomotor no Amazonas

Avião alugado para serviços da Secretaria Especial Indígena está retido em aldeia desde segunda em protesto contra nomeação em órgão de Saúde

Liège Albuquerque, especial para O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2011 | 17h33

Um avião monomotor alugado para serviços da Secretaria Especial Indígena (Sesai) está retido desde a segunda-feira em uma aldeia yanomami, próximo ao município de Barcelos, a 396 quilômetros de Manaus.

 

Os indígenas reivindicam, com o sequestro do avião, a permanência de Joana Claudete na coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena de Roraima (Dsei). "Já enviamos até uma carta à presidente Dilma, mas só com esse tipo de protesto somos percebidos, e há lideranças pensando até em queimar o avião no fim de semana", afirmou o diretor da Hutukara Associação Yanomami, Dário Vitório Kopenawa.

 

A reportagem procurou a Sesai, em Brasília, e a assessoria respondeu que "o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, está em contato (por telefone) com as lideranças indígenas para verificar os pontos de reivindicação".

 

Os yanomami são cerca de 19 mil indígenas, divididos em aldeias na divisa do Amazonas com Roraima. A assessoria da Sesai, informou, ainda, que a aldeia onde está o avião tem cerca de 200 yanomami sendo atendidos pela equipe de oito funcionários da Sesai.

 

De acordo com Kopenawa, os indígenas vão reter o avião até que a Sesai volte atrás na indicação de Andréia Maia Oliveira para o Dsei. "A indicação dessa senhora envolvida em corrupção é do chefe da Funasa em Roraima e do senador Romero Jucá e não aceitamos indicação de cima para baixo", disse.

 

Segundo ele, há o piloto, quatro agentes de saúde indígena,três técnicos de enfermagem e um enfermeiro da Sesai trabalhando na aldeia, que vieram no avião. "Eles não estão seqüestrados, estão trabalhando e é a primeira ação de saúde este ano na aldeia. Os agentes (da Sesai) não têm culpa das decisões de Brasília e são bem-vindos", afirmou.

 

Para Kopenawa, "só mudaram o nome de Funasa para Sesai, mas o descaso continua igual". A gestão da saúde indígena, em tese, foi transferida da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a Sesai desde outubro do ano passado. "Essa transição não aconteceu até hoje, nada mudou e enquanto isso estão parados os trabalhos de campo desde o início do ano: esse avião foi a primeira ação de saúde nesse ano chegando na aldeia", frisou.

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