Índios voltam à estrada em MS e cobram pedágio

Um dia após terem desfeito o bloqueio na rodovia MS-289, em Mato Grosso do Sul, os índios caiovás voltaram na última quarta-feira pela manhã ao local, dessa vez para cobrar pedágio dos motoristas. Instalados no trecho que corta a terra indígena Taquapery, entre as cidades de Amambai e Coronel Sapucaia, eles pediam R$ 20 por veículo - mas aceitavam menos, se o motorista alegasse não ter dinheiro suficiente. À tarde, a cobrança foi suspensa.Em Brasília, representantes dos tupiniquins e guaranis do Espírito Santo tentaram bloquear a Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério da Justiça. A operação, iniciada às 10h45, foi interrompida cinco minutos depois pela Polícia Militar.Nos dois protestos, os índios exigiam a ampliação das reservas onde vivem. Os tupiniquins e guaranis prometem ficar em Brasília até conseguir uma audiência com o ministro da Justiça para cobrar a demarcação de uma área atualmente nas mãos da Aracruz Celulose, que contesta a reivindicação.IndignaçãoA informação sobre o pedágio na MS-289 foi confirmada pela Delegacia de Polícia Civil de Coronel Sapucaia. Segundo seus agentes, motoristas indignados procuraram a delegacia com o objetivo de registrar queixa contra os índios. Foram informados, no entanto, que assuntos ligados à questão indígena são responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Federal.Em Ponta Porã, onde fica a delegacia mais próxima da PF, até o fim da tarde não tinha chegado informação sobre o pedágio. No escritório da Funai em Amambai um funcionário contou que os índios revelaram a intenção de fazer a cobrança, mas foram orientados a não fazê-lo.Esse é o segundo posto de pedágio clandestino montado por índios em operação no País. No Amazonas, na altura do quilômetro 145 da Transamazônica, desde outubro do ano passado os índios tenharins cobram R$ 20 pela passagem de qualquer veículo.Além de terras, os caiovás de Mato Grosso do Sul reivindicam a libertação de quatro companheiros presos desde 9 de janeiro. Eles mantiveram o bloqueio na MS-289 durante seis dias, saindo do local por determinação da Justiça Federal, mas estão prometendo voltar.Os tenharins, por sua vez, querem ser indenizados pelo fato de suas terras serem cortadas pela rodovia. A intenção é manter o pedágio permanentemente. Em Brasília, o protesto foi apoiado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST). Os índios pretendem ficar acampados diante do ministério.

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