Índios tuxás ganham indenização de R$ 83 milhões da Chesf

Depois de 17 anos lutando para que a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) os compensassem pelas terras inundadas pelo lago da barragem de Itaparica em 1987, no nordeste da Bahia, os índios da tribo tuxá, receberam finalmente, ontem, uma indenização de R$ 83,293 milhões. O repasse foi assinado por diretores da Chesf com o aval do Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, no município de Paulo Afonso, a 449 quilômetros de Salvador. Os índios viviam na aldeia Brejo do Burgo no município de Rodelas, sobrevivendo do cultivo de feijão, arroz, milho, cebola, mandioca e melancia na Ilha da Viúva, próximo à aldeia. Quando ocorreu a inundação na região fronteiriça entre a Bahia e Pernambuco uma parte dos famílias foi reassentada em Nova Rodelas, outra em Ibotirama (Bahia) e um terceiro grupo em Inajá (PE). A Chesf havia prometido indenização e a implantação de três projetos de agricultura irrigada mas nunca havia cumprido, fazendo com que ao longo dos anos os índios organizassem vários protestos. "Agora temos condições de sobreviver", desabafou o cacique tuxá Manoel da Silva. As 442 famílias vão receber indenizações variando entre R$ 5 mil e R$ 31 mil e a Chesf vai implantar os perímetros irrigados. Conforme Nilmário Miranda o cumprimento do acordo tem um significado histórico pois "quem ceder suas terras em benefício da União terá de ser compensado e não prejudicado como foram os tuxás", disse.

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