Índios sequestram biólogos no Pará

Três pesquisadores faziam estudos para implantação das hidrelétricas de São Luís do Tapajós e de Jatobá

Tânia Monteiro e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

22 Junho 2013 | 13h14

Atualizado às 20h15.

BRASÍLIA - Um grupo de 150 indígenas da tribo Munduruku, do oeste do Pará, sequestrou três biólogos que faziam estudos para implantação das hidrelétricas de São Luís do Tapajós e de Jatobá. Os pesquisadores são funcionários da empresa Concremat, que presta serviços para o Consórcio Grupo de Estudos Tapajós, formado pelas empresas Camargo Correia, GDF Suez, Eletrobras e Eletronorte.

Inicialmente, os reféns, que chegaram a ser amarrados, foram mantidos sob vigília dos índios no coreto da praça principal de Jacareacanga (PA). À noite, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que os indígenas resolveram ir embora para uma aldeia levando junto os três biólogos. Os índios questionam as grandes obras do governo federal.

A Secretaria-Geral da Presidência da República está em contato com os indígenas, de forma a estabelecer uma negociação para liberar os reféns. O objetivo do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, é que os biólogos sejam liberados rapidamente. Segundo nota do Cimi, os indígenas retiraram cerca de 25 pesquisadores e biólogos na noite de sexta-feira das terras indígenas.

"Os técnicos coletavam amostrar da fauna e flora da região para os estudos ambientais e de viabilidade das usinas no rio Tapajós", informa o Cimi em nota oficial.

A tribo Munduruku é a mesma que veio a Brasília, há duas semanas, negociar com a Secretaria-Geral da Presidência a paralisação das obras de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Diante da ameaça de tomar os canteiros de obras das hidrelétricas, a Secretaria-Geral solicitou às Forças Aéreas Brasileiras (FAB) que transportasse os índios do Pará a Brasília (DF) para negociar no Palácio do Planalto. Uma vez na capital federal, os indígenas invadiram a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai).

 

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