Índios protestam contra impunidade de crimes no Amazonas

Cerca de 200 indígenas das mais de 30 etnias de São Gabriel da Cachoeira, a 858 quilômetros de Manaus, fizeram uma passeata e entregaram nesta terça-feira ao ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, um abaixo-assinado com 3,3 mil assinaturas, segundo a assessoria da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn). O abaixo-assinado protesta contra a impunidade em atos praticados contra indígenas na região do Alto Rio Negro.Segundo o diretor da Foirn, André Fernando, da etnia baniwa, a idéia é que o ministro viesse ouvir todas as reivindicações e mobilizar órgãos da segurança do Estado e União. "Ele se comprometeu a levar ao presidente Lula nossos pedidos", disse. O documento, segundo Fernando, aponta problemas vividos na região devido à precária presença do Estado. As entidades pedem a presença de um juiz, um procurador da Fundação Nacional do Índio (Funai) na cidade, de defensores públicos, maior efetivo para a delegacia e a instalação de um posto da Polícia Federal, para combater o narcotráfico e a defesa das terras indígenas.De todos os atos de impunidade relatados pelos indígenas, o mais grave ocorreu em 7 de janeiro deste ano, quando Marina Macedo, de 20 anos, da etnia baniwa, foi estuprada, estrangulada e jogada semi-nua em frente ao prédio onde trabalhava como doméstica e morava, o Consulado da Colômbia. Até hoje não foi identificado e encontrado o responsável pelo crime.De acordo com Fernando, desde que a delegacia de São Gabriel foi inaugurada, em 2002, tem apenas nove policiais civis e dois militares. A população da cidade é de 27,9 mil habitantes e 90% da população é de indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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