Andre Dusek/AE
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Índios protestam contra ameaça de despejo de aldeia no Mato Grosso do Sul

Organizações que representam etnias indígenas espalharam 5 mil cruzes no gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília; protesto também visa chamar a atenção para a violência fundiária

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 20h18

BRASÍLIA - Organizações representativas de várias etnias indígenas espalharam nesta sexta-feira 5 mil cruzes no gramado da Esplanada dos Ministérios para protestar contra a violência fundiária e chamar a atenção das autoridades em relação ao drama de uma aldeia guarani-caiová, ameaçada de despejo, por decisão judicial, da área que ocupa na Fazenda Cambará, às margens do Rio Hovy, em Naviraí, Mato Grosso do Sul. A Fundação Nacional do Índio (Funai) recorreu da decisão e deixou equipes de prontidão no local para evitar confrontos.

Os índios, segundo os organizadores do movimento, decidiram resistir à ordem de desocupação e ameaçam, como último recurso, partir para o suicídio coletivo, uma tática usada no passado. A ameaça dos índios foi comunicada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que determinou providências urgentes à Funai. Nesta sexta-feira, uma comitiva, comandada pelo líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), levou o caso também ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto.

Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) indicam que, entre 2003 e 2011, foram mortos 503 índios no País, vítimas de violência fundiária. Desse total, 279 são do povo guarani-caiová, que há mais de 50 anos teve suas terras invadidas no Mato Grosso do Sul por projetos de colonização agrícola e, deste então, vive em conflito pela homologação e demarcação de suas reservas.

Recentemente, um grupo de 170 índios ocupou uma área na Fazenda Cambará, que eles alegam pertencer à etnia. Mas, no início deste mês, a Justiça Federal de Naviraí concedeu liminar determinando a desocupação da área. Desde então, eles passaram a discutir o suicídio como protesto, segundo alertou Sarney Filho. "Expliquei a gravidade do assunto e das sucessivas agressões aos guarani-caiová, que os levaram a fazer do suicídio uma prática comum entre eles e que agora 170 pessoas ameaçam tirar a própria vida", enfatizou.

Em nota, a Funai informou que adotou todas as medidas legais para reverter a decisão judicial e que não há data definida para cumprimento da liminar. Disse que o risco de suicídio coletivo não é confirmado pelos índios que ocupam a fazenda e que mantém uma equipe acompanhando a situação no local, sob supervisão da Coordenação Regional do órgão em Ponta Porã. O recurso da Funai para derrubar a liminar foi interposto no Tribunal Regional da 3ª Região, em São Paulo.

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