Índios podem vetar visita de relator da ONU à reserva

A entrada do relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais dos Povos Indígenas, James Anaya, na Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, ainda não é certa. Anaya chegou no dia 14 ao Brasil com a intenção de visitar a área e esbarrou ontem em Manaus em uma advertência do vice-coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcus Apurinã: "É um momento de crise, muito em cima da data da votação (no Supremo Tribunal Federal), não achamos que a entrada será permitida.""Não estou aqui para tentar pressionar nenhum lado, apenas para observar. Seria no mínimo falta de respeito aos ministros do Supremo me manifestar antes do julgamento no dia 27", afirmou Anaya, após reunir-se com representantes da Coiab.Apurinã disse esperar que, após a visita, a ONU se declare favorável aos indígenas da Raposa Serra do Sol, independentemente do resultado no Supremo. Os índios querem manter a demarcação em área contínua e expulsar os não-índios. Os arrozeiros, por sua vez, querem permanecer na reserva. A polêmica foi parar no Supremo. "Nossa esperança é que os ministros julguem por nossa causa e sabemos que, seja qual for o julgamento, abre uma espécie de jurisprudência contra qualquer votação futura sobre terras indígenas", disse Apurinã.Indígenas expuseram ontem problemas ao relator da ONU, que anotava tudo o que ouvia num bloco. A maior reclamação foi de descaso na saúde.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.