Índios mantêm seis funcionários de fazenda como reféns

Seis funcionários de uma fazenda da grupo canadense Brascan são mantidos reféns na reserva dos índios da nação kaiabi, localizada entre o Mato Grosso e o Pará, desde sábado. Armados com arco e flecha, além de seis revólveres, os índios proíbem a entrada da Polícia Militar. Eles só aceitam negociar com a Funai, Polícia Federal e Ministério Público Federal. Essa é a reação mais violenta dos índios na disputa por terras não demarcadas pela Funai no norte de Mato Grosso.Na sexta-feira, um dos empregados da fazenda teria ido armado até aldeia conversar com os índios. Revoltados, cerca de 40 kaiabi o renderam, foram até a sede da fazenda e tomaram outros cinco homens como reféns. Eles foram levados para a aldeia Cururuzinho informou o presidente da Associação Indígena Kaiabi, Iracildo Wuaru Munduruku. Segundo ele, o grupo canadense rompeu acordo feito em junho deste ano delimitando os limites da fazenda, que fica dentro da reserva. O grupo teria se apossado de 65 mil hectares de terras que pertenceriam aos índios. Na reserva de 105 mil hectares vivem 130 índios kaiabi.Além dos kaiabi, mais dois grupos indígenas - apiaka e munduruku -, totalizando cerca de 800 índios, disputam terras com fazendeiros. De acordo com o coordenador da Funai na região, Clóvis Nunes, a situação fundiária só será resolvida com a intervenção do Ministério da Justiça. Há uma portaria para demarcar a área, mas o processo ainda não foi concluído. Representantes da Funai, PF e MPF devem ir até a área nesta quarta-feira ao local para negociar com os índios a liberação dos reféns.

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