Índios mantêm invasão no porto da Aracruz no ES

Cerca de dois mil trabalhadores da Aracruz Celulose e de empreiteiras que prestam serviço no Portocel - terminal portuário especializado no embarque de celulose, localizado no Porto Barra do Riacho, no município de Aracruz (ES) - entraram em conflito nesta quarta-feira com os 150 indígenas que desde terça-feira impedem o funcionamento das operações de embarque de celulose. Os indígenas, das tribos Tupinikim e Guaranis, prometem não abandonar o porto das empresas Aracruz Celulose e Celulose Nipon Brasileira (Cenibra), enquanto o ministério da Justiça não demarcar como deles uma área 11 mil hectares que teria sido apropriada pela Aracruz e que é objeto de disputa legal. O terminal portuário teve suas atividades paralisadas por questões de segurança. Segundo lideranças indígenas e o deputado estadual Cláudio Vereza (PT), ex-presidente da Assembléia Legislativa, a mobilização dos trabalhadores se deu através dos sindicatos, pressionados pela própria Aracruz. A empresa nega que tenha ingerência sobre o movimento que, segundo a sua assessoria de imprensa, foi um movimento de apoio de iniciativa dos sindicatos, tendo à frente o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Extrativas de Madeira de Aracruz (Sintiema), Davi Gomes. O Estado telefonou para Gomes, mas logo após a identificação do repórter a ligação foi cortada e não houve mais contato telefônico. Os dois lados coincidem na avaliação de que o conflito só não foi mais violento por conta dos poucos Policiais Militares que estavam na área e atuaram para evitá-lo. Ninguém ficou ferido. Mas o que fez os ânimos serenarem mesmo foi o fim do expediente de serviço, às 16hs, quando então os trabalhadores deixaram o porto e voltaram para suas casas. Para evitar que os dois mil manifestantes (2.500, no cálculo dos indígenas) invadissem a área do porto onde estavam os 150 índios das duas tribos e agredissem os "invasores", o cacique Jaguareté confirma que usaram a estratégia de ameaçar depredar a celulose estocada no porto. Segundo o diretor superintendente do Portocel, Gilberto Marques, "a invasão está tomando um vulto grande de confronto e os índios estão estragando a celulose jogando tinta". Jaguareté se defende: "Vocês gostariam que deixássemos os 2.500 invadirem nossa área e nos matarem?". Nem o diretor do porto, nem o cacique foram capazes de calcular o percentual das 80 mil toneladas de celulose estocadas ali que foram danificadas. Segundo Marques, a paralisação do porto dá um prejuízo de US$ 7 milhões por dia. No final da tarde, aproveitando a dispersão dos trabalhadores, outros indígenas juntaram-se aos 150 que amanheceram nesta quarta ocupando o porto. Nota da Aracruz Celulose denuncia a participação de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e de outras ONGs na ocupação, mas tanto os indígenas como o deputado Vereza negam, alegando que há apenas manifestações de apoio por parte de pessoas que permaneceram fora do porto.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 18h18

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