Índios lutam para ingressar na sociedade

Com a presença de povos indígenas no Fórum Social Mundial, a luta pelo direito à integração na sociedade volta a ficar em evidência. O presidente da Associação Universitária Indígena do Sul, o guarani Urubatã, reivindica mais bolsas de auxílio nas universidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, estados onde a entidade atua. Com apenas 22 anos, Urubatã está no 8º semestre da Faculdade de Agronomia, na Universidade de Ijuí (Unijuí), onde estudam 30 indígenas, 4 guaranis e 26 caingang - só no Rio Grande do Sul existem 12.500 índios caingang e 1.500 guaranis - e persiste com sua luta pela ampliação de bolsas. "Muitos deixam de estudar por falta de auxílio, pelo alto custo das universidades", reclama Urubatã. "Somos atropelados por esses sistema, sem terra e sem educação."Segundo o guarani, alguns colegas moram em Ijuí, como ele, e outros permanecem na reserva. Ele conta que no início, ao ingressar na universidade, sentia uma barreira por causa das diferenças culturais, mas logo acabou sendo respeitado pelos estudantes, para quem ele e os colegas costumam fazer palestras sobre a cultura. Acampado no Parque Harmonia, junto com cerca de 500 índios do País e da América Latina, e 1.500 jovens presentes ao evento, ele disse que o importante é mostrar que eles existem. "Estamos aqui para lutar, mas de forma pacífica", diz Urubatã.Para a coordenadora executiva do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, Maria Luiza Santos Soares, o encontro é importante para discutir a exclusão dos índios do Rio Grande do Sul da pauta nacional. Segundo a coordenadora, os índios do Estado têm o menor índice de ocupação de território do País, mas são mais numerosos que o Acre.

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