Indios libertam reféns e vão receber R$ 1,8 mi de indenização

Antes do sequestro, os índios pediam R$ 3,5 milhões como indenização, enquanto a Copel oferecia R$ 1,1 milhão

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2009 | 19h08

Os índios caingangues da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, vão receber R$ 1,8 milhão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), como indenização pelos impactos econômicos, culturais e ambientais, causados por uma linha de transmissão de energia que corta a terra indígena. Uma reunião no auditório da Universidade Estadual de Londrina definiu os valores, na tarde de desta terça-feira, 24, depois que os índios libertaram, na noite de segunda-feira, três pessoas que eram mantidas reféns desde a semana passada.

 

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A reunião entre representantes da Copel, dos índios, da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério Público Federal (MPF) deveria ter acontecido no dia 18. Os índios pediam R$ 3,5 milhões como indenização, enquanto a Copel oferecia R$ 1,1 milhão. Com a intenção de conversar para melhorar a proposta da Copel e elaborar um parecer sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Funai pediu o adiamento da reunião. No entanto, os índios não foram avisados e encontraram as portas fechadas.

 

Revoltados, eles decidiram pegar os reféns para forçar a realização de nova reunião. Na quinta-feira, foram retidos os irmãos Valmiron Quintanilha e José Almir Quintanilha, funcionários de uma empresa terceirizada da Copel, que tinham ido fazer um trabalho rotineiro na reserva. No dia seguinte, o antropólogo da Copel, Alexandre Húngaro da Silva, foi tentar libertá-los e também acabou como refém. "A comunidade nos tratou muito bem", garantiu Silva.

 

Pelo acordo assinado com os índios, a Copel deve depositar o dinheiro da indenização no prazo de cinco dias úteis. Uma parte será investida imediatamente a critério dos cerca de 450 índios que vivem na reserva. Outra parte vai compor um fundo para financiamento de projetos ambientais, econômicos e culturais. A linha de transmissão de energia corta a reserva por cerca de 10 quilômetros. Nesse trecho foram instaladas 14 torres.

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