Índios libertam funcionários mantidos como reféns em Minas

Índios de uma aldeia Pataxó em Carmésia, na região leste de Minas Gerais, libertaram no início desta noite os dois funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que eram mantidos reféns desde a semana passada. Os índios pataxó exigiam melhorias no atendimento médico à tribo. O sociólogo Altino Barbosa Neto, chefe do distrito sanitário indígena da Funasa em Governador Valadares, e o coordenador técnico da área indígena, Antônio Divino de Souza, foram libertados pouco de depois das 18 horas, após uma reunião em que foi firmado um termo de ajustamento de conduta (TAC). A coordenação da Funasa em Belo Horizonte não soube informar o conteúdo do TAC, elaborado durante uma reunião na prefeitura local, da qual participaram dois procuradores federais, representantes da fundação e da aldeia Pataxó, entre outros. O desfecho do caso foi comemorado como uma vitória pelas lideranças indígenas. A cacique Apinaera Pataxó disse ao Estado, por telefone, que o termo garante que a Funasa cumpra o seu papel - "de como deve ser tratada a saúde indígena".PedidosEntre as várias reivindicações dos pataxó estavam a compra de medicamentos, instalação de um posto de saúde ampliado na aldeia, pagamentos de consultas e exames de alta e média complexidades, reposição dos custos dos índios com consultas particulares. Os índios se comprometeram a garantir o livre acesso dos funcionários da Funasa que forem trabalhar na aldeia. Desde sexta-feira, a Polícia Federal acompanhava a movimentação dos indígenas, mas não foi registrado nenhum incidente. Altino havia sido detido pelos índios e impedido de sair da aldeia no final da tarde da última quinta-feira, quando chegou para participar de uma reunião. No dia seguinte, o coordenador técnico da área indígena da fundação, Antônio Divino de Souza, também foi feito refém quando chegou à aldeia para negociar a libertação do sociólogo. O coordenador regional substituto da Funasa, Ronaldo Cerqueira Lima, também foi apreendido pelos pataxós, mas acabou liberado logo depois para providenciar o cumprimento das exigências feitas pelos índios.Momentos tensosHouve, porém, momentos tensos durante o cativeiro dos funcionários da Funasa. No sábado, Antônio Divino, que é hipertenso, sentiu-se mal e precisou ser atendido por uma enfermeira da prefeitura de Carmésia. O coordenador técnico recusava a alimentação fornecida pelos índios, mas também não quis ir para um hospital. "Eles foram muito bem tratados aqui. Queríamos apenas ser ouvidos nas nossas reivindicações", afirmou a cacique Apinaera. Segundo a Funasa, após a libertação, os reféns foram levados para um hospital da região para a realização de exames de corpo delito.

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