Índios liberam funcionários da Funasa em Roraima

Os 11 servidores foram mantidos reféns por 350 índios desde às 10 horas desta quarta

Pedro Henrique França, da Agência Estado, e Cyneida Correia, do Estadão,

03 de outubro de 2007 | 20h35

Os 11 funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão executivo do Ministério da Saúde, foram liberados no início da noite desta quarta-feira, 3. Eles foram mantidos reféns por cerca de 350 índios Yanomâmi da aldeia Papiu, município de Alto Alegre, em Roraima, desde às 10 horas(horário de Brasília). Temerosos de ficar sem socorro médico por tempo indeterminado, os índios resolveram não liberar a saída dos reféns da região após saberem que eles iam entrar em greve. Os reféns são médicos e enfermeiros responsáveis pelo atendimento de saúde em várias aldeias na região.  O local é de difícil acesso e fica há mais de 300 quilômetros da capital Boa Vista. Só se chega à aldeia de avião. As equipes ficam no local por 15 dias atendendo os índios e depois são trocadas. Foi durante uma dessas trocas que os índios resolveram impedir a saída dos servidores. Eles prenderam as duas aeronaves na pista com cipós e cordas.  Os servidores fazem parte do convênio UNB/Funasa e teriam informados aos índios que não voltariam para tratá-los por estarem com salários atrasados há mais de dois meses. A falta de pagamento dos funcionários da FUB (Fundação Universidade de Brasília) é constante. O presidente do Sindicato da categoria, Rondinelle Rodrigues confirmou a informação e disse que se o pagamento não for feito de forma imediata os funcionários podem paralisar. A Funasa informa que a decisão foi tomada após o anúncio da liberação dos recursos referentes à 12ª parcela do convênio firmado com a Fundação Universidade de Brasília (FUB). Ainda segundo a nota da assessoria da Funasa, o clima no local é de "tranqüilidade" e não houve qualquer registro de violência entre as partes, "já que a relação dos indígenas com os profissionais de saúde é de integração e confiança". Após a troca de turno, dos 11 profissionais que se encontram na área Yanomâmi, seis deles retornarão a Boa Vista, capital do Estado de Roraima, e cinco deverão permanecer na região dando continuidade aos serviços de assistência prestados. Em nenhum momento, o caso foi tratado como seqüestro pela Fundação e sim como "impedimento", já que não houve sinalização de violência. O retorno dos funcionários liberados deve acontecer nesta quinta.

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